Japão enfrenta risco de explosão em outro reator nuclear

Operador afirma que mais um reator apresenta problemas na usina de Fukushima, situada a 250 km de Tóquio

iG São Paulo |

O Japão enfrenta o risco de explosão em outro reator da usina nuclear de Fukushima Daiichi, cenário de um primeiro vazamento de radioatividade ocorrido cerca de 20 horas após o terremoto que atingiu o país na sexta-feira. Na manhã deste domingo no horário local, noite de sábado pelo fuso de Brasília, um operador da usina informou que o sistema de refrigeração do reator de número 3 da usina também parou de funcionar. 

"Todas as funções de manutenção dos níveis de refrigeração do reator de número 3 falharam na usina número 1 de Fukushima", afirmou um porta-voz da empresa operadora, Tokyo Electric Power. De acordo com o representante da companhia, a injeção de água no sistema parou por volta das 5h30 da manhã no horário local (17h30 no horário de Brasília) e a pressão interna do reator está "subindo levemente".  A operadora emitiu um relatório de emergência para o governo sobre as condições da usina.

No sábado, o reator de número 1 da mesma usina já havia sofrido uma série de problemas, resultantes da falha no sistema de refrigeração e consequente aumento da pressão no sistema. Diante do risco de explosão, se fez necessária a abertura das válvulas para liberar o excesso de vapor. Os problemas ocorreram horas depois do violento terremoto que devastou o nordeste do país.

A situação no primeiro reator a apresentar problemas chegou a tal ponto que as autoridades tiveram de adotar medidas drásticas para resfriar sistema, como preenchê-lo com água do mar.

De acordo com a Agência de Segurança Industrial e Nuclear do país, o número de pessoas expostas à radiação em função do vazamento no reator 1 de Fukushima pode chegar a 160 . E, apesar das declarações de autoridades minimizando a possibilidade de acidente nuclear, o risco foi suficiente para que o governo decidisse evacuar cerca de 200 mil pessoas que vivem nas áreas próximas às duas usinas em Fukushima.

Na manhã de domingo, órgãos oficiais contavam 689 mortos em decorrência do terremoto seguido de um tsunami ocorrido na última sexta-feira, embora oficiais reconheçam que o número  pode passar de 1.000. Diante do quadro, a comissão reguladora dos Estados Unidos anunciou o envio de dois especialistas ao Japão para auxiliar as autoridades locais.

Abastecimento

Além de lidar com o risco de um novo vazamento nuclear, o Japão enfrenta ainda a preocupação quanto ao abastecimento das zonas afetadas pelo terremoto. Várias regiões afetadas estão isoladas, apresentando grande dificuldade para o acesso das operações de resgate. Pelo menos 1 milhão de residências ficaram sem abastecimento de água desde o terremoto.

Desde o terremoto, autoridades japonesas mobilizaram equipes de resgate por todo o País. Até a noite de sábado, cerca de 3 mil pessoas haviam sido resgatadas com vida em meio ao mar de destroços em que se transformou o nordeste do país. A polícia contava ainda mais de 215 mil pessoas vivendo em 1.350 abrigos temporários. "Tudo o que temos para comer são biscoitos e arroz", afirmou Noboru Uehara, 24 anos, um motorista de caminhão que vive em Iwake. "Tenho medo de a comida acabar."

*Com informações da AP, AFP, BBC e Reuters

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