Japão eleva magnitude do terremoto para 9 graus

Com revisão, tremor seguido de tsunami tornou-se o segundo de maior magnitude no mundo desde o início do século 20

iG São Paulo |

A Agência Meteorológica do Japão revisou neste domingo para 9 graus a magnitude do terremoto da última sexta-feira, no litoral nordeste do país. Inicialmente, o tremor estava avaliado em 8,8 graus, segundo as autoridades japonesas. Na análise do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a magnitude foi de 8,9 graus na escala Richter.

Com a revisão do número, o terremoto de 9 graus é o segundo de maior magnitude ocorrido no mundo desde o começo do século 20. Só foi superado pelo terremoto de 22 de maio de 1960 em Valdivia (Chile), que alcançou 9,5 graus na escala Richter e causou cerca de 6 mil mortos.

Segundo os dados mais recentes da polícia japonesa, o número de mortos no terremoto, que foi seguido de tsunami, pelo menos 763 pessoas morreram e outras 639 estão desaparecidas. A imprensa local, por sua vez, noticia que o número de mortos pode chegar a 2 mil.

Usina nuclear

O Japão também enfrenta o risco de explosão em outro reator da usina nuclear de Fukushima Daiichi, cenário de um primeiro vazamento de radioatividade ocorrido cerca de 20 horas após o terremoto que atingiu o país na sexta-feira. Na manhã deste domingo no horário local, noite de sábado pelo fuso de Brasília, um operador da usina informou que o sistema de refrigeração do reator de número 3 da usina também parou de funcionar.

"Todas as funções de manutenção dos níveis de refrigeração do reator de número 3 falharam na usina número 1 de Fukushima", afirmou um porta-voz da empresa operadora, Tokyo Electric Power. De acordo com o representante da companhia, a injeção de água no sistema parou por volta das 5h30 da manhã no horário local (17h30 no horário de Brasília) e a pressão interna do reator está "subindo levemente". A operadora emitiu um relatório de emergência para o governo sobre as condições da usina.

No sábado, o reator de número 1 da mesma usina já havia sofrido uma série de problemas, resultantes da falha no sistema de refrigeração e consequente aumento da pressão no sistema. Diante do risco de explosão, se fez necessária a abertura das válvulas para liberar o excesso de vapor. Os problemas ocorreram horas depois do violento terremoto que devastou o nordeste do país.

A situação no primeiro reator a apresentar problemas chegou a tal ponto que as autoridades tiveram de adotar medidas drásticas para resfriar sistema, como preenchê-lo com água do mar.

De acordo com a Agência de Segurança Industrial e Nuclear do país, o número de pessoas expostas à radiação em função do vazamento no reator 1 de Fukushima pode chegar a 160 . E, apesar das declarações de autoridades minimizando a possibilidade de acidente nuclear, o risco foi suficiente para que o governo decidisse evacuar cerca de 200 mil pessoas que vivem nas áreas próximas às duas usinas em Fukushima.

Abastecimento

Além de lidar com o risco de um novo vazamento nuclear, o Japão enfrenta ainda a preocupação quanto ao abastecimento das zonas afetadas pelo terremoto. Várias regiões afetadas estão isoladas, apresentando grande dificuldade para o acesso das operações de resgate. Pelo menos 1 milhão de residências ficaram sem abastecimento de água desde o terremoto.

Desde o terremoto, autoridades japonesas mobilizaram equipes de resgate por todo o País. Até a noite de sábado, cerca de 3 mil pessoas haviam sido resgatadas com vida em meio ao mar de destroços em que se transformou o nordeste do país. A polícia contava ainda mais de 215 mil pessoas vivendo em 1.350 abrigos temporários. "Tudo o que temos para comer são biscoitos e arroz", afirmou Noboru Uehara, 24 anos, um motorista de caminhão que vive em Iwake. "Tenho medo de a comida acabar."

*Com informações da EFE, AP, AFP, BBC e Reuters

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