Japão e China assumem compromissos em visita de presidente chinês a Tóquio

Fernando A. Busca Tóquio, 7 mai (EFE).

EFE |

- Japão e China assumiram hoje o compromisso de não se ameaçarem, assim como o de manter reuniões anuais periódicas, durante a visita ao Japão de Hu Jintao, a primeira de um presidente da China ao país em uma década.

Hu foi recebido em Tóquio com as honras reservadas aos grandes aliados do Japão, que incluem três encontros com o imperador Akihito e sua esposa, Michiko, além da reunião de hoje com o primeiro-ministro Yasuo Fukuda.

Historicamente rivais políticos, mas atualmente parceiros econômicos, Japão e China estão interessados em fazer desta visita um sucesso, para estreitar seus laços até "um novo ponto histórico", segundo o comunicado conjunto emitido por ambas as partes.

Tendo em vista a melhora nas relações bilaterais, Hu e Fukuda decidiram hoje que os chefes de Estado dos dois países se reunirão regularmente a cada ano, cada vez em uma nação diferente.

A agenda da visita de cinco dias de Hu ao Japão, a mais longa a um país desde que assumiu a Presidência chinesa em 2003, contém uma extensa lista de assuntos, dentre os quais se destaca uma disputa pelos direitos de extração de gás no mar da China Oriental.

As duas maiores potências econômicas da Ásia não chegaram a um acordo sobre este assunto antes da vinda de Hu, indicaram fontes oficiais à agência local "Kyodo".

Mas o primeiro-ministro do Japão e o líder chinês decidiram solucionar o mais rápido possível sua disputa pela exploração de gás em águas soberanas de ambos os países, embora sem concretizar uma data.

Nesta longa visita, Hu e seus interlocutores japoneses deverão discutir alguns temas espinhosos, como a situação do Tibete, e tratarão com cuidado de outros, como a atitude em relação ao passado histórico dos dois países, que periodicamente irrita as respectivas opiniões públicas.

Com relação ao Tibete, Fukuda pediu hoje ao presidente da China que continue com "os esforços para manter um diálogo com o dalai lama", e mostrou sua esperança quanto a uma possível melhora da situação na região.

Com estas declarações, Fukuda seguiu a linha oficial estabelecida nas últimas semanas, nas quais Tóquio pediu a Pequim mais transparência sobre os eventos ocorridos recentemente no Tibete, assim como a facilitação do acesso à informação sobre essa região.

No Japão, a religião budista tem muita força, motivo pelo qual o tema do Tibete é sensível para muitos de seus habitantes, que se manifestaram na terça-feira nas ruas de Tóquio aos gritos de "Free Tibet" ("Tibete Livre").

Sem indicar se sua decisão teria a ver com a polêmica do Tibete, Fukuda também afirmou hoje na entrevista coletiva que ainda não decidiu se comparecerá à cerimônia inaugural dos Jogos Olímpicos de Pequim, apesar de considerar "positivamente" a possibilidade.

No campo econômico, Tóquio e Pequim decidiram realizar um estudo conjunto em profundidade sobre a estrutura econômica e o comércio entre os dois países.

As informações obtidas serão utilizadas para desenvolver políticas econômicas que melhorem os intercâmbios entre Japão e seu primeiro parceiro comercial.

Nas últimas duas décadas foi estabelecida uma fértil relação econômica entre os países, fruto em grande parte do investimento japonês e da mão-de-obra chinesa.

No entanto, os investimentos japoneses caíram 30% em 2006 e 24% no ano passado, sem levar em conta o setor financeiro, principalmente por causa da alta nos preços da mão-de-obra na China.

Mas talvez o aspecto mais simpático do dia tenha sido o oferecimento, por parte do líder chinês, de um casal de ursos panda aos japoneses, poucos dias depois da morte de Ling Ling - um exemplar da espécie que chegara ao Japão em 1992 - no zoológico do bairro de Ueno em Tóquio.

Em uma mostra da afetividade, no que já vem sendo chamado de "diplomacia do panda", o próprio imperador Akihito disse hoje a Hu que as crianças japonesas estão "encantadas" com a intenção chinesa de ceder os dois ursos panda ao Japão. EFE fab/ev/gs

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