Japão debate conselho de reconstrução enquanto faz busca massiva

Cerca de 24 mil soldados japoneses e americanos deram início a uma operação aérea e marítima para encontrar 16 mil desaparecidos

iG São Paulo |

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, disse nesta sexta-feira que ele criará um conselho para reconstrução nacional pós-terremoto dentro de 10 dias. O anúncio acontece, segundo informações do jornal americano Los Angeles Times, paralelamente a um esforço do governo japonês sem precedentes para encontrar os 16 mil corpos de desaparecidos desde o dia do tremor seguido de tsunami, em 11 de março .

Cerca de 24 mil soldados japoneses e americanos iniciaram uma grande operação aérea e marítima para localizar os corpos de vítimas. A busca teve início depois de o governo ter anunciado a detecção de radiação de iodo 131 na água a 15 metros de profundidade sob a central nuclear de Fukushima.Segundo informou o Ministério da Defesa japonês, as operações, que terão também a participação de policiais, bombeiros e efetivo da Guarda Costeira, serão desenvolvidas durante três dias nas províncias de Iwate, Miyagi e Fukushima, as mais afetadas pelo tsunami que sucedeu ao terremoto de 9 graus na escala Richter. 

AP
Estátua de Buda é vista em meio aos destroços do terremoto seguido de tsunami em Sendai, Miyagi, no Japão
O desdobramento inclui centenas de navios e helicópteros para chegar às zonas mais remotas e arrasadas pelas ondas, que deixaram, segundo os últimos números oficiais, 11.578 mortos e 16.451 desaparecidos. O Japão mobilizou mergulhadores, 100 aeronaves e 50 navios, enquanto o Exército americano colocará a serviço das operações de busca 20 aviões e helicópteros e 15 embarcações. 

Nuclear

Também nesta sexta-feira, o premiê japonês disse que é "difícil" determinar quando a crise do complexo nuclear de Fukushima Daiichi terminará, mas prometeu fazer "o que for preciso para vencer a batalha". "A estabilidade não foi alcançada, mas estamos preparados para qualquer situação possível e concebível em Fukushima", disse Kan. 

O premiê se mostrou convencido de que "conseguirá estabilizar" a usina de Fukushima Daiichi através da refrigeração de seus reatores e ressaltou o trabalho com especialistas e engenheiros da Tokyo Electric Power Company (Tepco), que opera o complexo.

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, afirmou nesta sexta-feira que os japoneses não correm nenhum perigo de exposição a taxas perigosas de radioatividade caso sigam os conselhos das autoridades, três semanas depois do terremoto e tsunami que provocaram o acidente nuclear em Fukushima. 

Dois dias depois de uma recomendação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para que o Japão amplie a zona de segurança de 20 km ao redor da central nuclear acidentada, Kan insistiu que o país decide "a área de segurança em função dos conselhos e propostas dos especialistas". "No Japão, nós pedimos às pessoas que sigam as regras porque, se assim fizerem, não haverá consequências para sua saúde", explicou. 

Ainda nesta sexta-feira, a Tepco forneceu dados errados sobre a radioatividade na área pela segunda vez em uma semana, em meio às críticas da Agência de Segurança Nuclear do Japão. O organismo japonês afirmou que os dados sobre a contaminação da água subterrânea de Fukushima, que segundo a Tepco registrou níveis de iodo radioativo 10 mil vezes acima do limite legal, não são confiáveis.

A agência explicou que as análises da água próxima ao reator 1 da central deverão ser revisadas para baixo, já que foram detectados erros nos programas de medição da Tepco para materiais como telúrio, molibdênio e zircônio.

Hidehiko Nishiyama, porta-voz da Agência de Segurança Nuclear, qualificou de "extremamente lamentável" que a operadora tenha fornecido pela segunda vez dados incorretos sobre a radiação na usina em menos de uma semana. No domingo, a companhia divulgou que havia detectado uma concentração de radioatividade 10 milhões de vezes superior ao normal na água que inundava uma área do edifício de turbinas do reator 2, mas depois precisou que o dado era exagerado e que deveria ser analisado novamente.

*Com AFP, BBC e EFE  

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