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Japão aprofunda recessão inesperada e recorre a medidas de emergência

Jairo Mejía. Tóquio, 27 abr (EFE).- O Governo japonês tornou mais pessimistas hoje as previsões de contração de seu Produto Interno Bruto (PIB), que aumentaram para a queda recorde de 3,3%, e apostou em novos planos de emergência para reativar uma economia em meio à pior crise do pós-guerra.

EFE |

O Governo do Japão previu que a situação econômica continuará, por enquanto, "muito grave", ao divulgar seu novo cálculo para 2009, que contrasta com a estimativa de zero de crescimento feita em dezembro.

O ministro da Economia e Finanças japonês, Kaoru Yosano, não economizou qualificativos para descrever a recessão japonesa durante a apresentação de um plano de estímulo ao Parlamento japonês de 14,7 trilhões de ienes (US$ 151,5 bilhões) para o Orçamento do ano fiscal 2009, que termina em março do próximo ano.

Na opinião de Yosano, "esta crise não tem precedentes" e se "agravou de maneira inesperada", devido à queda das exportações em um ritmo nunca visto até então, que devem cair no atual ano fiscal 27,6%.

O ministro fez uma chamada para mudar de orientação toda a economia nacional, altamente dependente das exportações e de seus maiores parceiros comerciais, como Estados Unidos e Europa.

"O Japão precisa mudar a economia da dependência na demanda externa até um crescimento motivado pela demanda interna", afirmou Yosano.

Além disso, o principal responsável econômico japonês disse que o país ainda é vulnerável ao risco proveniente das instituições financeiras europeias e americanas, que poderiam ser nefastas para o setor bancário japonês.

Após dois planos de gasto fiscal de emergência para frear o alcance da crise, o Governo propôs hoje ao Parlamento um novo pacote extra, que se somará ao orçamento para o exercício de 2009, o maior da história do país.

O orçamento adicional de US$ 151,5 bilhões apresentado hoje se transformou no maior da história do país e oficializa o que muitos qualificavam como a pior crise do pós-guerra.

De acordo com esse plano, o Japão emitirá papéis do Estado no valor de quase 11 trilhões de ienes (US$ 113,4 bilhões) para financiar o novo gasto fiscal, e com isso a venda de títulos públicos em 2009 chegará ao maior volume desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Segundo os cálculos do Governo do primeiro-ministro japonês, Taro Aso, este plano impulsionará o PIB durante o atual ano fiscal.

Ao mesmo tempo, o Governo pretende dirigir a economia para favorecer as energias renováveis e melhorar os serviços à envelhecida população japonesa.

Com este terceiro plano de gastos, as medidas de emergência sobem para 25 trilhões de ienes (US$ 258,297 bilhões) desde que, em meados de 2008, a crise hipotecária dos EUA se estendeu até contrair a demanda dos parceiros comerciais do Japão, especialmente em eletrônica e automoção.

No entanto, somando as medidas financeiras derivadas do corte de impostos e apoio a empréstimos a empresas, estas alcançarão um valor operacional de 56,8 trilhões de ienes (US$ 587,649 bilhões), o que coloca o total desde que Aso foi eleito em 75 trilhões de ienes (US$ 775,985 bilhões).

Desde o ano passado, os grandes exportadores japoneses registraram forte queda nas vendas e o lucro obtido após o fim da crise das ".com" evaporou, ao mesmo tempo em que buscavam medidas para reestruturar seus negócios.

Em consequência, as grandes multinacionais reduziram o emprego, o que elevou a taxa de desemprego para 4,4%, e tiveram que baixar os preços e brigar com um iene forte, até levar o país perto da temida deflação.

Além disso, o cenário inclui os choques políticos no Parlamento e cujo principal ponto de crítica é o primeiro-ministro, de quem todos esperavam a convocação antecipada das eleições, previstas para setembro, devido à baixa popularidade do chefe de Governo.

Aso condicionou sua permanência à necessidade de políticas de emergência para tirar o país da crise e, segundo uma pesquisa divulgada hoje, a aprovação de gestão subiu de 10% para 32%. EFE jmr/an

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