Um funcionário de alto escalão do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão disse à BBC que o país concedeu licença para a importação de uma carga de cerca de 65 toneladas de carne de baleia vinda da Islândia e da Noruega. O carregamento foi enviado ao país asiático em junho, mas está preso na alfândega desde sua chegada.

Além de estabelecer a legalidade do carregamento, as autoridades japonesas também analisaram a carne em termos de saúde e acredita-se que este processo ainda não tenha sido terminado.

A companhia islandesa que caçou e exportou a maior parte da carne, Hvalur hf, afirmou que deve receber a autorização final dentro de algumas semanas.

Baleeiros noruegueses e islandeses acreditam que o acesso ao mercado consumidor japonês é a chave para a expansão e manutenção de seus negócios.

Isentos
O comércio internacional de carne de baleia está proibido sob a Convenção para o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES, na sigla em inglês), da ONU.

Mas a Noruega, a Islândia e o Japão registraram ressalvas para ficarem isentos da proibição, algo que o tratado permite.

"É uma importação legal e uma exportação legal, e, no futuro, poderá dar acesso a um mercado que é muito grande para baleeiros noruegueses e islandeses", afirmou Laila Jusnes, da Aliança do Alto Norte, que representa baleeiros, vendedores e pescadores da região em volta do Ártico.

"Não sabemos o tamanho do mercado (no Japão) antes de começarmos, mas tenho certeza de que poderá ser desenvolvido novamente", acrescentou, em resposta à afirmação de grupos ambientalistas de que o mercado japonês para carne de baleia estaria, na verdade, encolhendo.

Ambientalistas
O potencial da exportação de carne de baleia é justamente a razão que leva grupos contra a caça a se oporem a sua retomada.

Para Claire Bass, gerente do programa de mamíferos marinhos para a Sociedade Mundial para Proteção dos Animais (WSPA, na sigla em inglês), o Japão está desrespeitando a CITES e a Comissão Internacional de Caça a Baleias (IWC, na sigla em inglês).

"Isto realmente mostra que nenhuma das nações baleeiras tem qualquer tipo de compromisso com o futuro da IWC, ou alguma intenção de honrar as obrigações firmadas sob a CITES", disse.

"Está claro que a Islândia não tem mercado para esta carne, mas o Japão também não tem - atualmente eles têm cerca de 2 mil toneladas estocadas, então é difícil imaginar a razão de eles estarem importando mais", acrescentou.

Os membros da IWC estão discutindo um pacote de reformas antes da reunião anual da organização em junho de 2009.

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