Medida que tem força de lei proíbe entrada num raio de 20 quilômetros ao redor do complexo nuclear

Policiais bloqueiam estradas em Fukushima
Reuters
Policiais bloqueiam estradas em Fukushima

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, anunciou nesta quinta-feira que a área de evacuação num raio de 20 quilômetros da usina nuclear de Fukushima agora é uma zona de entrada proibida. Até agora, o governo tinha recomendado que os moradores deixassem a região, mas não exigia isso legalmente.

A partir da meia-noite desta sexta-feira (hora local), a medida passa a ter força de lei. Assim, quem não cumprir a medida poderá responder a processo, pagar multa de até US$ 1.200 (cerca de R$ 1.800) e até passar 30 dias na prisão.

A proibição foi anunciada durante uma visita do premiê à província de Fukushima. "Decidimos designar a área como 'área de emergência', com base na lei de desastres", explicou à imprensa o secretário-chefe do gabinete, Yukio Edano. "A usina não está estabilizada e nós temos pedido aos moradores para que não entrem na área por causa do grande risco para a segurança deles".

Segundo a polícia japonesa, cerca de 60 famílias continuam vivendo na área de evacuação. As autoridades querem ter um controle maior da entrada de pessoas na região, por isso a partir de agora quem quiser voltar para buscar pertences terá de ter uma autorização especial para entrar rapidamente na zona de controle.

Crise nuclear

Os moradores próximos da usina foram instruídos a deixar suas casas após o terremoto seguido de tsunami no dia 11 de março. Os dois desastres naturais causaram uma série de problemas na usina nuclear, que perdeu o sistema de resfriamento dos reatores e materiais radioativos vazaram para o meio ambiente.

Cerca de 80 mil moradores foram retirados da região e atualmente estão abrigados em ginásios e instalações públicas.A espera para poder voltar às suas casas deverá ser longa, já que a Tokyo Electric Power (Tepco), empresa que opera a usina, calcula que serão ainda necessários cerca de três meses para reduzir a radioatividade e entre seis a nove meses para dar ter o controle total dos reatores.

Atualmente, os técnicos na usina estão se preparando para retirar água com alto nível de contaminação do subsolo das instalações e assim começar o trabalho de reparação dos sistemas de resfriamento dos reatores.

Água do mar

Também nesta quinta-feira, a Tepco disse que as substâncias radioativas liberadas no mar durante mais de seis dias são estimadas em 5 mil terabecquerels, ou seja, 20 mil vezes mais do que o limite anual permitido.

Segundo a agência Kyodo, esse material radioativo vazou com cerca de 520 toneladas de água do reator número 2. Os vazamentos foram descobertos no dia 2 de abril e só foram contidos no dia 6.

O total é bem abaixo dos 370 mil a 600 mil terabecquerels que, estima-se, foram liberados na atmosfera pela usina. Mas é 30 mil vezes mais do que a quantidade de substâncias que a Tepco despejou no mar para assegurar espaço no reservatório para colocar a água altamente contaminada.

Com BBC e EFE

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