Verba que ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento será usada para limpeza, construção de casas e restauração da infraestrutura

O governo japonês anunciou nesta sexta-feira um orçamento emergencial de cerca de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 78 bilhões) para a primeira fase de recuperação das áreas destruídas no nordeste do país pelo terremoto e tsunami do dia 11 de março.

A verba anunciada nesta sexta-feira, prevista para ser usada já no começo de maio, ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento. A votação deve ocorrer ainda no final deste mês. "Este é o primeiro passo para o novo começo do Japão", disse o ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, à imprensa.

Mulher passa por local destruído em Rikuzentakata, na província de Iwate
AFP
Mulher passa por local destruído em Rikuzentakata, na província de Iwate

Este dinheiro será usado para construção de casas temporárias, limpeza dos escombros, restauração da infraestrutura, reconstrução de estradas e portos e empréstimos relacionados ao desastre.

O Japão enfrenta sua pior crise pós-guerra e, segundo cálculos do governo, a tragédia deve custar aos cofres públicos pouco mais de US$ 300 bilhões. Por isto, uma série de orçamentos extras deve ser anunciada em breve pelo governo japonês.

Somente este primeiro valor divulgado nesta sexta, por exemplo, já supera o montante gasto na reconstrução da cidade de Kobe, destruída por um terremoto em 1995.

Pagamento da conta

A grande preocupação da população local é como o governo vai pagar a conta. As autoridades garantiram que não há previsão de emissão de novos bônus ou empréstimo de dinheiro para financiar o orçamento emergencial.

O ministro Noda reforçou que o governo vai manter a política de disciplina fiscal. O país tem hoje uma dívida pública que ultrapassa o dobro do Produto Interno Bruto (PIB), a maior de um país industrializado.

A maior parte do novo orçamento, segundo explicou o ministro, virá de cortes em recursos alocados para ajuda ao desenvolvimento exterior, as contribuições públicas ao programa básico de previdência e o projeto de ajuda financeira às famílias com crianças.

Zona proibida

Nesta sexta-feira, o governo também anunciou a ampliação da zona de exclusão em torno da usina de Fukushima, que passará a incluir algumas vilas que estão fora do raio de 20 km ao redor da usina.

A zona de exclusão foi ampliada por causa da preocupação com o alto nível acumulado de exposição à radiação. Os moradores de Iitate, Katsurao, Namie e parte de Kawamata e Minamisoma, todas localizadas na província de Fukushima, precisam sair de suas casas até o final de maio.

Segundo o secretário-chefe do gabinete, Yukio Edano, pouco mais de 10.500 pessoas serão afetadas pela decisão de ampliação da área proibida.

Com BBC

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