Japão anuncia contração do PIB além do esperado

O governo japonês anunciou nesta terça-feira que a economia do país teve uma contração de meio ponto percentual no terceiro trimestre deste ano. O relatório de revisão do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado nesta terça-feira pelo governo japonês mostra que a recessão no país é pior do que se pensava.

BBC Brasil |

A estimativa anterior previa apenas 0,1 ponto percentual de queda.

Esta foi a segunda vez no ano que o Japão registrou um recuo trimestral. Com isso, a variação anual deve ficar em torno de 1,8% negativos, muito aquém dos dados preliminares, que previam uma queda de 0,4% em 2008.

A forte redução dos investimentos na indústria e a vertiginosa queda nas exportações empurraram a economia japonesa para baixo. Segundo economistas, mesmo com a ajuda do governo, a recessão deve perdurar pelo menos até o segundo semestre de 2009.

"No próximo ano, o Japão precisa exercitar uma grande paciência e implementar medidas políticas para reanimar a economia", disse Kaoru Yosano, ministro da Economia e Política Fiscal, à imprensa japonesa.

Segundo golpe
Esta recessão não é novidade para o Japão. No final da década de 1990, o país enfrentou uma séria crise econômica, que o obrigou a adotar medidas firmes, como a introdução de liquidez no sistema e um pacote de empréstimos. As dificuldades perduraram até o começo dos anos 2000.

Desta vez, a esperança era um aquecimento do consumo interno, que acabou não acontecendo. Os japoneses, ainda traumatizados com a crise anterior, estão preferindo guardar o dinheiro.

Com isso, as fabricantes de carros, por exemplo, já amargam queda de 27% nas vendas domésticas.

O dado se refere a novembro, em comparação ao mesmo período do ano passado. É a pior queda dos últimos 39 anos.

Conseqüências
A forte turbulência econômica, que provocou a retração da segunda maior economia mundial, tem obrigado as grandes empresas japonesas a rever os planos e enxugar ao máximo os custos.

Hoje, a multinacional eletrônica Sony anunciou um plano de reestruturação para amenizar os efeitos da crise. Entre as medidas, além da redução de investimentos, anunciou a demissão de 8 mil funcionários - de um total de 160 mil empregados.

"Estas iniciativas são a resposta aos imprevistos e às rápidas mudanças no cenário econômico global", justificou a empresa em um comunicado.

Segundo um levantamento do Ministério do Trabalho, em todo o Japão mais de 30 mil operários serão demitidos até março do ano que vem.

Estima-se que o índice de desemprego, que era de 3,7% em outubro, salte para 6% neste final de ano, ultrapassando o placar recorde de 5,5%, ocorrido em 2003.

A nova fase já foi até cunhada como a "era do desemprego em massa".

As indústrias, incluindo as automobilísticas e de eletrônicos, são responsáveis por 93,9% dos cortes.

Só as grandes montadoras como Toyota, Nissan e Suzuki somam mais de 9 mil demissões. Mas é bastante provável que o número esteja subestimado, pois muitas indústrias não responderam à enquete enviada pelo governo.

Bolsas asiáticas
As notícias nada boas ainda não afetaram o mercado de ações local, que teve desempenho misto nesta terça-feira.

A Bolsa de Tóquio fechou com uma leve alta. O índice Nikkei 225 subiu 66,82 pontos, ou seja, teve 0,80% elevação, situando-se aos 8.395,87 pontos.

Na Coréia do Sul, o índice Kospi registrou pequena alta de 0,07%.

Já a bolsa de Valores de Hong Kong encerrou o pregão no vermelho. O índice Hang Seng perdeu 1,94%. Na China, o Shangai Composite de Xangai registrou queda de 2,54%.

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