Japão amanhece para destruição pós-terremoto

Manhã de sábado revela extensão de danos causados por tremor de magnitude 8,9 seguido de tsunami; EUA enviarão ajuda para vítimas

iG São Paulo |

Japoneses acordaram na manhã deste sábado (noite de sexta-feira no Brasil) frente a um cenário de devastação deixado pelo maior terremoto da história do país, de magnitude 8,9, seguido de tsunami na costa nordeste do país, onde ainda há incêndios e cidades parcialmente submersas.

O sábado deve revelar toda a extensão dos danos causados pelo tremor seguido de tsunami de ao menos sete metros de altura que varreu vilarejos e cidades. Em uma das áreas residenciais mais atingidas, era possível escutar pessoas soterradas sob os escombros, pedindo socorro e perguntando quando seriam resgatadas, segundo relato da agência Kyodo

O último balanço oficial divulgado pelo governo informou que a tragédia resultou em centenas de mortes confirmadas. Somando mortos e feridos, poderia haver mais de 1 mil vítimas, segundo a polícia.

Na manhã deste sábado, os japoneses que estavam em Tóquio no momento do terremoto tentam voltar para casa . Grande parte dos trabalhadores teve de passar a noite nas empresas, escolas e outros abrigos públicos por causa do tremor de 8,9 graus.

Ajuda

O Pentágono informou na sexta-feira que está preparado para fornecer ajuda de emergência às vítimas do terremoto no Japão e iniciou o deslocamento de alguns de seus navios para a região. "Estamos avaliando a situação e posicionando as tropas para que estejam preparadas e proporcionar a ajuda necessária", indicou o comandante da Armada Leslie Hull-Ryde em comunicado.

O Japão solicitou ajuda dos Estados Unidos através do Departamento de Estado e o Pentágono está esperando que este dê a ordem para proceder. O anúncio foi feito depois de o Japão ter enviado 8 mil militares para a região nordeste do país, a mais destruída pelo tremor.

A ajuda militar americana inclui dois navios, o USS Essex e o USS Boxer, equipados com helicópteros e aviões, juntamente com vários navios de apoio. Na base aérea que os Estados Unidos têm na localidade japonesa de Yakota, militares da Aeronáutica e voluntários estão ajudando os viajantes de 11 voos comerciais que foram deslocados a suas pistas após o terremoto.

Um navio americano também navega em direção às ilhas Marianas. O ministro japonês da Defesa, Toshimi Kitazawa, disse que cerca de 50 mil militares dos EUA no Japão estão prontos para trabalhar nos esforços de resgate.

Até agora não há registro de vítimas americanas na tragédia. O governo dos EUA emitiu um alerta no qual recomenda que seus cidadãos não viagem ao Japão, a menos que seja essencial. Em pronunciamento na Casa Branca, Obama disse que o terremoto no Japão pode ter sido "catastrófico". "Nosso corações estão com nosso amigos japoneses e em toda a região, e vamos estar ao lado deles enquanto se recuperam dessa tragédia", afirmou o presidente.

nullAntes do pronunciamento, Obama telefonou ao primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, para oferecer suas condolências pelas centenas de vítimas do tremor seguido de tsunami. "Nossa amizade e aliança são inabaláveis e fortalecem nossa resolução de ajudar os japoneses a superar esta tragédia", disse o líder americano, segundo seu porta-voz.

Brasil

O governo brasileiro também manifestou solidariedade às vítimas da tragédia no Japão. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores expressa suas "mais sinceras condolências pelas perdas humanas" causadas pelo tremor e pelo tsunami.

O comunicado acrescenta que "a Embaixada do Brasil no Japão e os consulados gerais em Tóquio, Nagoya e Hamamatsu não têm até agora informação sobre mortos ou feridos brasileiros".

Segundo o Itamaraty, a maior parte dos 254 mil brasileiros que vivem no Japão está no sul do país, região menos afetada. Para auxiliar os cidadãos que precisem de ajuda, a Embaixada do Brasil em Tóquio está trabalhando em regime de plantão 24 horas e solicita que pedidos de informação sejam dirigidos ao endereço eletrônico comunidade@brasemb.or.jp

O Núcleo de Atendimento a Brasileiros (NAB), que está em contato com a rede consular no Japão, colocou linhas de atendimento à disposição do público: (61) 3411-6752 / 6753 / 8804 (8h às 20h) e (61) 3411-6456 (20h às 8h e finais de semana). Consultas poderão ainda ser dirigidas ao endereço eletrônico dac@itamaraty.gov.br.

Usinas

O tremor danificou o sistema de resfriamento de reatores nucleares da estação elétrica de Fukushima Daiichi, um dos seis da instalação localizada na cidade de Onahama, região de Miyagi, a 270 quilômetros a nordeste do Japão. Por causa do problema, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, emitiu um alerta de emergência nuclear e anunciou um raio de 10 km de isolamento em torno da usina, que está com níveis de radioatividade 1 mil vezes acima do normal .

Depois, o Japão declarou um estado de emergência em uma segunda usina nuclear após o sistema de resfriamento em seus três reatores falhar pelo terremoto. Por enquanto, não há informações de vazamento de radiação.

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), trata-se do sétimo maior terremoto desde que os abalos começaram a ser listados e o quinto maior desde 1900. O tremor ocorreu às 14h46 do horário local (2h46 de Brasília) e teve epicentro no Oceano Pacífico, a 160 quilômetros da costa. Na quarta-feira, um tremor de 7,3 foi registrado na mesma área. O tremor foi 8 mil vezes mais forte do que o abalo que atingiu Christchurch, na Nova Zelândia, no mês passado, disseram cientistas.

Além de a costa nordeste ter sofrido vários abalos secundários após o tremor, um forte terremoto aconteceu no centro do país neste sábado (na tarde de sexta-feira em Brasília). O tsunami causado pelo tremor de 8,9 correu através do Oceano Pacífico a uma velocidade de 800 km/h - tão rápido quanto um jato -, antes de chegar ao Filipinas, Indonésia e Havaí e à Costa Oeste dos EUA, mas sem registro de grandes danos.

No período da noite, as ondas começaram a chegar à América Latina, no México, e devem descer progressivamente até Puerto Williams, no extremo sul do Chile, onde os efeitos são esperados por volta das 3h.

Depoimentos

O químico japonês Osamu Tsujimoto, de 56 anos, passou por momentos de tensão durante o terremoto. Ele estava na cidade de Kobe quando o edifício da multinacional em que trabalha, a Huntsman, começou a tremer. "O prédio balançava muito, parecia um navio em alto-mar ", afirmou ao iG .

No momento do tremor, a brasileira Kelly Taia, 27 anos, estava em sua casa na cidade de Tsu. Ela mora no Japão há sete anos. "Foi horrível! Tudo começou a balançar e eu não sabia o que fazer. Estava sozinha em casa com minha filha e fomos para debaixo da mesa .", contou ao iG .

Kelly só conseguiu fazer um breve contato com o marido, que está em Ibaraki. “A bateria do notebook dele acabou e desde então não tenho mais notícias. Quero voltar para o Brasil.”

Osamu Akiya, 46 anos, trabalhava em seu escritório em Tóquio no momento do terremoto, que provocou a queda de estantes e computadores, além de rachaduras nas paredes. "Já passei por muitos terremotos, mas nunca senti nada igual a isso", afirmou, em entrevista à agência Associated Press. "Não sei se vou conseguir voltar para casa hoje."

Até agora, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas. Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico. O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Com AP, EFE e BBC

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