Japão alerta sobre possível nova explosão em usina nuclear

Porta-voz do governo descarta riscos à saúde humana, mas diz que autoridades trabalham com hipótese de fusão parcial em reator

iG São Paulo |

Autoridades japonesas trabalham para conter uma crise nuclear que deixa o país em alerta após a devastação causada por um terremoto seguido de tsunami na sexta-feira. Neste domingo, o governo disse acreditar que um reator pode ter sofrido fusão parcial e alertou para uma provável segunda explosão em Fukushima, como a que ocorreu no sábado .

Segundo o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, uma explosão de hidrogênio pode ocorrer na terceira usina do complexo nuclear Dai-ichi, em Fukushima. Edano afirmou que é "muito provável" que o reator da Fukushima 3 tenha sofrido fusão parcial.

"Como o processo acontece dentro do reator, não podemos checar diretamente. Mas estamos tomando medidas baseados nesta hipótese", afirmou o porta-voz. "Também não podemos descartar a possibilidade de explosão. Porém, mesmo se ela acontecer, não haverá impacto significativo sobre a saúde humana."

Para reduzir a pressão e a temperatura do reator, na tentativa de impedir o processo de fusão, autoridades permitiram que a Fukushima 3 liberasse ar e vapor com radioatividade. Edano afirmou que o nível de radiação fora da usina chegou a ultrapassar o limite permitido , mas voltou ao normal cerca de 50 minutos depois.

No sábado, uma explosão aconteceu em Fukushima 1 enquanto funcionários trabalhavam em ritmo frenético para tentar esfriar os reatores, utilizando até água do mar. Segundo Edano, a explosão aconteceu pela liberação de ar e vapor com radioatividade e não danificou o reator.

Por precaução, milhares de moradores foram retiradas de áreas próximas, embora Edano tenha dito que a radioatividade liberada na atmosfera até agora tenha sido pequena demais para representar ameaça à saúde.

O porta-voz da agência nuclear japonesa, Ryo Miyake, disse que até 160 pessoas, incluindo 60 idosos e vários profissionais de saúde, podem ter sido expostas à radiação na cidade de Futabe, próxima às usinas nucleares, enquanto esperavam para ser retiradas do local.

No momento do terremoto, a falta de energia fez com que os reatores perdessem a capacidade de resfriamento. Mesmo após o reator ser desligado, ainda é necessário dissipar o calor produzido pela atividade nuclear dentro do seu núcleo.

Maior tremor da história do Japão

O terremoto de 8,9 graus de magnitude atingiu a costa nordeste do Japão e provocou um tsunami em cidades na região norte. De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), trata-se do maior tremor já registrado no Japão e o 7° maior da história mundial.

Até hoje, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas.

Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico". O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Arte/iG
Mapa mostra localização do complexo nuclear em Fukushima

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