Japão acha centenas de corpos em costa; trem e navio desaparecem

Polícia encontra entre 200 e 300 corpos em praia de Sendai, uma das mais atingidas por tsunami seguido de terremoto

iG São Paulo |

Entre 200 e 300 corpos foram encontrados pela polícia em uma praia de Sendai, uma das cidades japonesas mais afetadas pelo tsunami que se seguiu a um potente terremoto de magnitude 8,9 , informou a agência de notícias local Jiji Press.

A polícia acredita que são corpos de residentes que morreram afogados pela onda de sete metros de altura que alcançou a zona, informou a Kyodo.

Depois da passagem do tsunami, as autoriades deram nesta sexta-feira como desaparecido o trem de passageiros da East Japan Railway Co., informou a agência japonesa Kyodo. O trem se encontrava perto da estação de Nobiru, no nordeste do país, no percurso que liga Sendai a Ishinomaki, quando ocorreu o violento terremoto.

A guarda costeira do Japão disse que está fazendo a busca por 80 trabalhadores de um navio que foi varrido de um porto em Miyagi.

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), trata-se do maior terremoto já registrado no Japão e o 7° maior da história mundial. O tremor ocorreu às 14h46 do horário local (2h46 de Brasília) e teve epicentro no Oceano Pacífico, a 160 quilômetros da costa. Na quarta-feira, um tremor de 7,3 foi registrado na mesma área.

null Trem-bala fechado

Os serviços do Shinkansen, o trem-bala do Japão, e os dois aeroportos de Tóquio ficaram temporariamente paralisados após o terremoto. Segundo a agência local "Kyodo", o aeroporto internacional de Narita suspendeu temporariamente suas atividades para analisar se há danos nas pistas, enquanto o de Haneda, mais próximo ao centro, também fechou.

A rede do "Shinkansen", que conecta as principais metrópoles, ficou suspensa nas regiões afetadas, enquanto as autoridades japonesas enviaram um avião das Forças Aéreas para avaliar os danos causados pelo tremor.

Duas usinas nucleares na província oriental de Fukushima, no litoral do Pacífico, também estão paralisadas pelo terremoto, que disparou os alarmes em grande parte do território japonês, incluindo Tóquio.

A emissora de TV local "NHK" transmitiu imagens que mostram colunas de fumaça saindo de edifícios na ilha de Odaiba, na baía de Tóquio. Em Yokohama também houve vários incêndios, segundo a "Kyodo".

Tremor devastador

Já foram registrados mais de 30 tremores secundários no país, a maioria de 6 graus de magnitude, e um alerta de tsunami está vigente para todo o Oceano Pacífico, incluindo Chile, Canadá, Alasca, Indonésia, Rússia, Nova Zelândia, Filipinas e toda a costa oeste dos Estados Unidos.

Dezenas de cidades e vilarejos foram afetados pelos tremores, e no norte do país ondas gigantes levaram barcos, casas, carros e pessoas, além de provocar incêndios.

Osamu Akiya, 46 anos, trabalhava em seu escritório em Tóquio no momento do terremoto, que provocou a queda de estantes e computadores, além de rachaduras nas paredes. "Já passei por muitos terremotos, mas nunca senti nada igual a isso", afirmou, em entrevista à agência Associated Press. "Não sei se vou conseguir voltar para casa hoje."

Hiroshi Sato, uma autoridade da prefeitura de Iwate, no norte do país, disse que ainda é difícil ter um retrato completo da destruição. "Nós não sabemos o tamanho do prejuízo. As estradas foram muito prejudicadas e até interrompidas por causa do tsunami", explicou.

Em pronunciamento oficial, o primeiro-ministro Naoto Kan afirmou que os estragos são grandes, mas que as usinas nucleares situadas no norte japonês não foram danificadas.

O porta-voz do governo, Yukio Edano, pediu à população para que fique em terrenos altos e evite sair de casa. Até agora, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas.

Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico". O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Com AP, EFE e BBC

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