O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, solicitou às autoridades de Fukushima nesta quarta-feira que proíbam a distribuição e o consumo de alguns tipos de verduras na província, afetada em sua costa leste por vazamentos radioativos de sua usina nuclear. A mesma medida foi requisitada à Província de Ibaraki.
O governo indicou que registrou níveis excessivamente altos de radiação em 11 tipos de verduras procedentes da Província de Fukushima e no leite e na salsa da vizinha Ibaraki, mais ao sul. O Ministério da Saúde japonês fez o apelo para que a população não consuma esses alimentos, em lista que inclui espinafre, brócolis, repolho e nabo, entre outros.
O premiê japonês pediu também à população que não coma qualquer verdura com nível de radioatividade anormal, principalmente espinafre, brócolis, couve e couve-flor.
A prefeitura de Ibaraki está situada entre Fukushima e Tóquio, cidade com 35 milhões de habitantes, onde nesta quarta-feira foi encontrada radiação excessiva na água.
Segundo manifestou em entrevista coletiva Yukio Edano, porta-voz do Executivo japonês, trata-se de uma medida de precaução. As verduras cultivadas em Fukushima são distribuídas pela Federação Nacional de Agricultura, e a comercialização desses alimentos está suspensa desde segunda-feira, informou a agência local "Kyodo".
Uma pessoa que ingerisse, durante dez dias, 100 gramas de alimento com a maior concentração de material radioativo detectada até o momento receberia uma radiação equivalente à metade da exposição natural ao meio ambiente durante um ano. As autoridades japonesas detectaram níveis de césio 164 vezes superiores ao limite e sete vezes mais de iodo em um tipo de verdura na localidade de Motomiya.
Há risco de contaminação também nos frutos do mar, após a descoberta de níveis elevados de substâncias radioativas na costa próxima à central de Fukushima. O ministério da Saúde pediu às prefeituras de Chiba e Ibaraki que ampliem o controle sobre os pescados.
Leite é descartado em Iitate, região próxima a Fukushima
Número de mortos
O número de vítimas do terremoto e tsunami que devastaram parte do Japão em 11 de março superou a marca de 24 mil mortos e desaparecidos, segundo o balanço mais recente da polícia. Segundo os dados, estão confirmadas 9.408 mortes. Além disso, 14.716 pessoas estão oficialmente desaparecidas e 2.746 ficaram feridas. Milhares de refugiados estão abrigados em instalações provisórias.
O governo japonês, no entanto, teme um aumento do número de vítimas. Esse é o maior desastre natural no Japão desde o terremoto de Kanto em 1923, que deixou 142 mil mortos.
*Com EFE e AFP
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