Decisão é tomada em meio a escândalo de escutas ilegais envolvendo o tabloide britânico News of the World, do grupo de mídia de seu pai

Imagem de vídeo mostra depoimento de James Murdoch sobre escândalo de escutas do News of the World (10/11)
AP
Imagem de vídeo mostra depoimento de James Murdoch sobre escândalo de escutas do News of the World (10/11)
James Murdoch renunciou às mesas diretoras das unidades de publicação vinculadas aos jornais britânicos da News Corporation , que costumavam incluir o extinto tabloide News of the World , que está no centro de um escândalo de escutas ilegais .

Murdoch, filho do magnata da mídia Rupert Murdoch e vice-chefe de operações da News Corp., continua como presidente da News International, unidade do império midiático de seu pai que abriga seus jornais britânicos, e membro da comissão editorial do Times de Londres.

A News International ficou prejudicada neste ano pela revelação de que pessoas que trabalhavam para o popular tabloide dominical grampearam os telefones de milhares para conseguir notícias. Investigações sobre a questão se tornaram notícia de primeira página nacional quando revelaram, em julho, que uma das vítimas espionadas era a estudante desaparecida Milly Dowler .

A ex-editora do News of the World Rebekah Brooks renunciou como chefe-executiva da News International e foi substituída por Tom Mockridge , o ex-chefe da Sky Itália, da News Corp., em 17 de julho.

"Depois da nomeação de Tom Mockridge como chefe-executivo da News International, James Murdoch renunciou em setembro das mesas diretoras de várias subsidiárias da News International, incluindo a News Group Newspapers (NGN) e o Times Newspapers Ltd (TNL)," disse a News International em um comunicado. Mockridge substituiu Murdoch nas mesas diretoras das duas companhias.

Harriet Harman, ministra britânica da Cultura, Mídia e Esportes - que é membro do oposicionista Partido Trabalhista -, disse que Murdoch deveria se explicar. "James Murdoch deveria deixar claro por que renunciou dessa forma. Isso não diminui de nenhuma forma sua necessidade de responder questões ou assumir a responsabilidade pelo que aconteceu sob sua guarda", disse em um comunicado.

Os documentos indicam que Murdoch renunciou da Times Newspapers Ltd em 13 de fevereiro e da NGN seis dias depois. Em 13 de fevereiro, ele descobriu que seria reconvocado por uma comissão parlamentar britânica para responder mais questões .

Saiba mais:
- Parlamento britânico interroga autoridades sobre escutas ilegais
- Filho de Murdoch volta a depor sobre escândalo de escutas ilegais
- James Murdoch nega ter sido informado sobre escutas ilegais
- Ex-executivo diz que James Murdoch sabia da dimensão dos grampos

NGN é a companhia que tem sido processada por muitas vítimas das escutas, incluindo a estrela de Hollywood Jude Law e a atriz Sienna Miller , sua ex-namorada. O advogado de mídia Mark Stephens disse não acreditar que a medida tenha quaisquer implicações para o caso das escutas ilegais. "Ele é passível de prestar contas pelo que ocorreu sob sua guarda, mesmo que não mantenha mais o cargo", disse.

James Murdoch sobreviveu a um voto para continuar na mesa diretora da News Corp. no mês passado apenas graças ao apoio de sua família e de outro acionista leal. Na próxima semana, ele enfrenta os acionistas da transmissora britânica via satélite BSkyB, que terá de decidir se ele deve permanecer como presidente não-executivo.

*Com Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.