E-mail enviado ao presidente da News Corp. europeia indicava que as escutas telefônicas ilegais iam além da prática de um repórter

O presidente da News Corporation na Europa e na Ásia, James Murdoch , afirmou a um comitê parlamentar do Reino Unido que não leu um e-mail crucial enviado a ele em junho de 2008 pelo editor do extinto tabloide News of the World , que indicava que as escutas telefônicas ilegais praticadas pelo tabloide iam além da atividade de um único repórter.

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Imagem de vídeo mostra novo depoimento de James Murdoch sobre escândalo de escutas do News of the World
AP
Imagem de vídeo mostra novo depoimento de James Murdoch sobre escândalo de escutas do News of the World

Uma troca de e-mails divulgada nesta terça-feira mostra que James foi avisado, por escrito, sobre a gravidade de uma ameaça de processo contra o News of the World por conta de uma escuta telefônica realizada em 2008, informou a CNN.

"Infelizmente isso é tão ruim como temíamos", o editor do tabloide Colin Myler escreveu em um e-mail para Murdoch sobre o tal caso, segundo uma cópia do texto publicado pelo Parlamento nesta terça-feira.

O e-mail aparentemente desmente os testemunhos de Murdoch, nos quais afirma que não tinha conhecimento que a prática dos grampos ilegais contra famosos, celebridades e vítimas de crimes era generalizada na empresa.

O grampo, que envolvia o chefe executivo da Associação Profissional de Futebol, Gordon Taylor, teria sido feito, segundo o e-mail, por outro jornalista que não o editor Clive Goodman , preso por espionar membros da Família Real.

Os advogados de Taylor, de acordo com o jornal britânico The Guardian, tiveram acesso a uma transcrição da caixa de mensagens do celular de Joanne Armstrong, advogada da associação, obtida pelo repórter Ross Hindley e enviada para Neville Thurlbeck, chefe de reportagem do jornal - prova que ficou conhecida como o e-mail "para Neville".

James Murdoch afirmou em uma carta enviada a um comitê parlamentar, também publicada nesta terça-feira, que apesar de ter respondido ao e-mail três minutos após seu envio, o fez sem ler.

Murdoch está no centro de um escândalo sobre escutas ilegais , que levaram ao fechamento em julho do News of the World, o tabloide mais vendido e mais antigo do Reino Unido.

O editor Muler enviou o e-mail a Murdoch em junho de 2008 e descrevia Gordon Taylor como "vingativo". Myler pediu que Murdoch se encontrasse com ele e com o advogado do tabloide, Tom Crone, por "cinco minutos" no dia 10 de junho.

Murdoch aparentemente concordou com o encontro em sua resposta, mas disse em sua carta enviada ao Parlamento no dia 12 de dezembro que ele não revisou o e-mail inteiro, que continha, em detalhes, as alegações de Taylor.

O News of the World fez um acordo com Taylor no valor de £ 700 mil (cerca de R$ 2 milhões). Outros acordos milionários foram feitos com outras celebridades, incluindo a atriz Sienna Miller .

Os policiais que cuidam do caso disseram que cerca de 5,8 mil pessoas, incluindo políticos, celebridades, vítimas de crimes e membros da família real, foram alvo da prática jornalística ilegal.

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