James Lovelock, profeta da catástrofe climática, insiste em suas teorias

Enquanto os chefes de Estado e de Governo do planeta se reunem em Nova York para uma cúpula extraordinária sobre o clima, o cientista britânico James Lovelock continua, aos 91 anos, provocando polêmica com sua visão apocalíptica das consequências do aquecimento climático.

AFP |

A menos de tres meses da conferência decisiva de Copenhague, Lovelock que provoca admiração e incômodo entre seus colegas, continua a alertar que "é tarde demais para salvar o planeta tal como o conhecemos", em entrevista concedida à AFP.

"Estejam preparados para as mudanças, adaptem-se às mudanças que virão. E preparem-se para enormes perdas humanas", acrescenta o autor dos livros "Gaia, cura para um planeta doente" e "A vingança de Gaia".

Pois, para ele, inclusive se pararmos taxativatemente nossas emissões de gases do efeito estufa, seu nível de concentração na atmosfera é tal que muitos fenômenos naturais contribuirão para aumentar o aquecimento em curso.

"Considera que a tendência atual, que consiste em interpretar as mudanças climáticas como um processo regular, relativamente controlável, pode levar ao engano, pois é muito provável que ocorra um ajuste abrupto e um processo incontrolável", explicou Andrew Watson, climatologista da Universidade East Anglia, no leste da Inglaterra.

Por enquanto, a posição de Lovelock é minoritária no mundo científico.

"Tenho o maior respeito por James Lovelock, é de uma grande inteligência e um grande cientista, é incontestável", disse Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), cujo relatório serve de base para as negociações da ONU sobre o clima.

"Mas a esta altura, os elementos que mostram que já superamos o ponto de não retorno e que a situação é irreversível são poucos e parece pouco provável que isso ocorra", acrescentou.

"Acho que se agirmos agora, seremos capazes de evitar um grande desastre", disse.

Lovelock, que cresceu no sul de Londres no entre-guerras, trabalhou durante 20 anos para o Instituto britânico de Pesquisas Médicas.

Contratado pela Nasa no início dos anos 1960, retornou para a Califórnia para estudar sobre a possibilidade de vida em Marte.

"Cientista independente", como se autoclassifica há 40 anos, é tão livre em suas opiniões que carece de apoio institucional. O pouco respeito deste homem pelas fronteiras acadêmicas tradicionais contribuiu para isolá-lo ainda mais.

"Os membros de cada disciplina estão muito orgulhosos porque não conhecem nada de outras disciplinas", disse Lovelock com malícia.

Os ambientalistas estão muito apegados a sua Teoria de Gaia, que apresenta a Terra como um super-ser vivo capaz de se autorregular, mas estão assustados com seu apoio à energia nuclear e seu desprezo pelas energias renováveis, que, segundo ele, não têm "o menor impacto na luta contra o aquecimento global".

"Não estou absolutamente de acordo com sua posição sobre as energias renováveis", explicou Watson, que escreve um livro sobre a contribuição de Lovelock para a ciência.

"Mas estou convencido de que faz um bom trabalho ao revelar o que há por trás dos documentos redigidos de maneira prudente pelos cientistas do clima", acrescentou.

mh/dm

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