James Cameron pede ao Brasil que não construa hidroelétrica na Amazônia

O cineasta James Cameron nesta quarta-feira ao Governo brasileiro que reconsidere o ideia de gerar energia a partir da hidroelétrica de Belo Monte, pelo impacto negativo que a inundação de terras causará a vários povoados indígenas da Amazônia.

EFE |

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James Cameron em Manaus, durante sua primeira visita ao Brasil

"Sempre existem outras soluções quando os bons líderes decidem resolver um problema", disse o diretor do filme campeão de bilheteira "Avatar", em entrevista coletiva nesta quarta-feira em Manaus, no Amazonas, após percorrer durante de três dias o rio Xingu e visitar comunidades que serão inundadas pelo lago da presa.

Belo Monte, que será construída no rio Xingu, no estado do Pará, será a terceira maior represa do mundo, atrás da chinesa das Três Gargantas e a de Itaipu, que o Brasil compartilha com o Paraguai.

A obra exigirá investimentos de US$ 10,6 bilhões e terá uma potência instalada de 11.233 megawatts.

"Para as pessoas que vivem à margem do rio o dano causado (pela represa) acabaria com a sua forma de vida", advertiu Cameron, que pediu ao Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que reconsidere sua decisão de construir a hidroelétrica.

Cameron visitou as comunidades indígenas às margens do Xingu acompanhado de representantes de ONGs como Amazon Watch, Movimento Xingu Vivo para Sempre e do Instituto Socioambiental.

"Queria visitar a região e conhecer mais detalhes sobre o futuro projeto", assinalou Cameron, quem foi recebido em uma aldeia de índios da família Arara e se reuniu com dezenas de membros dos povos Juruna, Xipaia, Xikrin Kayapo, assim como com o bispo da Prelatura do Xingu, Erwin Kreutler.

Pelos cálculos dos ambientalistas, várias regiões de selva e comunidades indígenas desapareceriam com a hidroelétrica.

O Governo brasileiro aprovou em 18 de março as diretrizes para a licitação da polêmica hidroelétrica, que pode ser celebrada a partir de 20 de abril.

Cameron, quem no fim de semana passado participou em Manaus do Fórum Internacional de Sustentabilidade da Amazônia, onde já advertiu sobre os nefastos efeitos desta obra, argumentou que um investimento forte em outras fontes energéticas mais eficientes poderia gerar mais eletricidade que a geração projetada para Belo Monte.

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