Já passa de mil o número de mortos em operação israelense na Faixa de Gaza

O número das vítimas da ofensiva israelense que começou há 19 dias na Faixa de Gaza já superou os mil nesta quarta-feira, no momento em que parecia se desenhar, sob o patrocínio do Egito, uma abertura diplomática para um cessar-fogo.

AFP |

O número de mortos chegou a 1.013, e o de feridos superou os 4.700, segundo o último balanço, fornecido à AFP no fim da tarde pelo chefe dos serviços de emergência em Gaza, Muawiya Hassanein.

No momento em que cresce o número de mortos em Gaza, uma fonte diplomática egípcia anunciou que o Cairo obteve o acordo do Hamas a seu plano para acabar com a guerra no território palestino, e aguarda agora a resposta de Israel.

O principal negociador israelense, Amos Gilad, é aguardado quinta-feira no Cairo.

Dirigentes do Hamas devem dar uma entrevista coletiva no Cairo mais tarde nesta quarta-feira. O representante do movimento radical palestino no Líbano, Osama Hamdan, afirmou à rede de TV árabe Al-Jazeera que "pontos de divergências" persistem nas discussões.

O ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Angel Moratinos, afirmou em Jerusalém que o Hamas aceitara a iniciativa egípcia de cessar-fogo.

A Casa Branca, por sua vez, expressou cepticismo, e disse esperar para ver o que realmente vai acontecer.

Em Gaza, pelo menos 20 palestinos morreram em novos ataques e combates, segundo fonntes médicas.

Um bombardeio israelense matou três pessoas no fim da tarde em um bairro da Cidade de Gaza.

Os combates mais violentos foram registrados na manhã desta quarta-feira em bairros da periferia da Cidade de Gaza e no norte do território palestino.

Pelo menos 315 crianças e 100 mulheres estão entre as vítimas da ofensiva israelense, lançada em 27 de dezembro para obrigar o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, a acabar com os disparos de foguetes contra o sul de Israel.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que iniciou no Egito uma viagem pela região para tentar obter o fim dos combates, afirmou que "não há mais tempo a perder".

Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU defendendo a instauração de "um cessar-fogo imediato" tem sido ignorada solenemente desde sua aprovação, no dia 8 de janeiro. A Assembléia Geral da ONU deve se reunir na quinta-feira para pedir o respeito a esta resolução.

Um alto representante do ministério israelense da Defesa disse à AFP que "Israel não se sente pressionado para pôr fim à operação".

"Talvez a situação mude quando Obama chegar à Casa Branca", acrescentou este dirigente, que não quis ser identificado, referindo-se a Barack Obama, o presidente eleito dos Estados Unidos, que tomará posse em 20 de janeiro.

Já o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, lançou em uma nova gravação um apelo à 'jihad' (guerra santa) "para acabar com a agressão contra Gaza".

Quatorze foguetes foram disparados contra Israel nesta quarta-feira. Estes tiros mataram quatro israelenses desde o dia 27 de dezembro.

No total, dez militares e três civis israelenses foram mortos desde o início da ofensiva. Sete soldados foram feridos nesta quarta-feira, um deles gravemente.

Além disso, três foguetes disparados a partir do Líbano explodiram perto da cidade fronteiriça de Kyriat Shmona, segundo a polícia israelense.

Este ataque, o segundo do gênero desde 27 de dezembro, não foi assumido. O Exército de Israel respondeu disparando contra a zona a partir da qual tinham sido atirados os foguetes.

Na Faixa de Gaza, um milhão de pessoas estão sem eletricidade, 750.000 sem água, e os hospitais só funcionam com geradores de emergência, segundo a ONU.

O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Jakob Kellenberg, qualificou nesta quarta-feira de "dramática" a situação humanitária no território palestino. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) considerou "inaceitável" a morte de mais de 300 crianças.

A muito respeitada revista médica britânica The Lancet acusou as forças israelenses de cometerem "atrocidades" em Gaza.

Em sinal de protesto contra a ofensiva israelense, a Bolívia seguiu os passos da Venezuela e rompeu suas relações diplomáticas com Israel.

A Arábia Saudita pediu a realização nesta quinta-feira, em Riad, de uma cúpula de emergência dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) dedicada à guerra na Faixa de Gaza.

O presidente da Síria, Bachar al-Assad, cujo país abriga o escritório político do Hamas, afirmou nesta quarta-feira em entrevista à rede BBC que a ofensiva em Gaza pode "semear o extremismo e o terror" em toda a região.

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