Ivna Lessa: No hablo español

Simpático saber que os brasileiros estão em 19º lugar no ranking de melhores turistas. Vai ver é isso mesmo.

BBC Brasil |

Nós temos mais jeito para viajar do que ficar em casa. Somos uns Ulisses do turismo global.

Os melhores turistas, conforme foi divulgado aqui mesmo neste website, são os japoneses.Organizados, educados, quietos, alegres. Os piores turistas são os franceses: 27º lugar. Um pontinho acima, os espanhóis: 26º lugar.

Isso é o resultado de uma pesquisa realizada pela TNS Infraset (que todos conhecem) para a agência de viagens Expedia (outro nome muito nosso familiar). 4,5 mil hoteleiros em 27 países foram consultados sobre o comportamento dos turistas. Ninguém se lembrou de perguntar aos turistas dos 27 países duas coisinhas: o que eles acham dos países que visitaram e dos hoteleiros que os hospedaram. O ser humano é o mais chato dos turistas nesta terra de Deus, filosofo eu. O que me interessou na nota foi o que se disse e se achou dos espanhóis. Muito bem, só ganham dos franceses. E estão entre os que mais alto falam, ao lado de americanos e italianos. Gozado. Eu já tinha reparado. Sempre que em viagem, procuro me sentar o mais distante possível de uma mesa com americanos, italianos e espanhóis. Munidos de birita ou não. Tenho a impressão â¿ e volto a filosofar â¿ que eles não são muito seguros de si e por isso berram. Uns com os outros, com os garçons, para os celulares. Houve uma coincidência. Neste mesmo período da divulgação da sondagem, eu estava estudando espanhol. Todo brasileiro acha que fala espanhol. Não fala. A coisa é mais complicada. Desconfiava disso desde que tentei ler Dom Quixote no original e pegar a letra completa de Mano a Mano, de e com o imortal Carlos Gardel.

Foi por esse motivo que regozijei quando o jornal que leio todos os dias, The Guardian, passou uma semana dando de brinde a seus leitores primeiro um CD com noções básicas da língua e, em seguida, de segunda a sábado, um pequeno folheto com frases úteis para o bom turista.

Li, guardei e repeti as lições em voz alta, diante da felina indiferença de minha gata. Sei que nunca vou ter oportunidade de empregar o que mais ou menos aprendi. Não posso me abster, no entanto, de compartilhar com meus conterrâneos â¿ esses esplêndidos turistas colocados em 19º lugar â¿ as lições, chamemo-las assim, que o jornal procurou incutir em minha mente, já capenga no português, agora se aprontando para uma muleta ou, pior ainda, cadeira de rodas, em espanhol. Na quinta-feira, o fascículo de bolso dedicou suas 24 páginas em letrinha miúda à família e aos relacionamentos pessoais. Não tenho um nem outro em nenhum país de fala castelhana, da Argentina à Venezuela, mas enumero algumas que despertaram minha atenção e que gostaria de ter oportunidade de usar. *** Soy muy tranquilo, no os preocupéis. Si queréis, pasaros esta tarde para tomar una cerveza en nustra terraza. Son las dos y media de madrugada y quiro dormir, podéis apagar la música? (Nota: uma frase interrogativa começa sempre com o ponto de interrogação plantando uma bananeira. Isso me deixa algo perplexo.) He visto que has subido al Facebook un par de fotos de la fiesta. Me gusta tu foto de perfil, estás moníssima. Acabo de borrar sesenta amigos y me siento más aliviado. Me ha encantado el sushi y la compañia mas ainda. Nos casamos en Las Vegas. Soy adoptado. Me han contado que Marta ha puesto los cuernos al marido con el fontanero. El cornudo es simpre el último en enterarse. *** Ah, sim. Fontanero é o bombeiro ou encanador. Puxa, quem diria, hem?

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