Ivan Lessa: TV é cultura

Não, minha senhora. Absolutamente, meu amigo.

BBC Brasil |

Não castigue o Juquinha pela sua última reinação proibindo-o de ficar "x" ou "y" dias sem ver televisão. É precisamente o contrário, papais e mamães. Se o danado do menino andou fazendo arte ou tirou más notas no colégio, tacá-lo imediatamente diante do aparelho (digital, de preferência) e obrigá-lo a ficar assistindo tudo, tudo, tudo por alguns dias. Até que a luz se faça sobre o garoto.

Não sou eu quem o diz. Não sou eu quem descobriu. A abonação vem de autoridade bem mais competente: um estudo seríssimo realizado por organização renomada que, pelo momento, deverá quedar em situação de anonimato por motivos que nem posso enumerar. Basta dizer que o estudo que resultou nos surpreendentes achado foi feito junto a 170 telespectadores nos Estados Unidos, Holanda e Grécia.

De cara, em alusão clássica, o exaustivo e minucioso trabalho demonstra seu bom humor gracejando com grande classe: segundo os pesquisadores ler Homero pode auxiliar uma pessoa a melhor compreender o mundo, ou seja, pode fazer alguém mais - na falta de uma palavra melhor - "inteligente". Mas tudo indica que assistir programas com o outro Homero, o Homer Simpson, no caso, também contribui de forma admirável para alguém disposto a melhorar o seu quociente intelectual.

O mesmo estudo, que não conhece limites, praticamente prova por A mais B e mais C, ainda por cima, que as comédias como Os Simpsons e os dramas como Os Sopranos ajudam as pessoas a adquirir uma visão mais ampla e profunda das sutilezas ou baixarias do mundo da política. Foi o que afirmaram praticamente um em cada quatro telespectadores dos países acima mencionados.

Nos Estados Unidos, onde a televisão é mais soberana do que Elizabeth 2ª é rainha no Reino Unido, um quarto dos participantes acreditam piamente que a televisão mudou - e para muito melhor - seu modo de ser e ver as coisas. Com ênfase, novamente, no que se refere a tudo que diz respeito à política.

Segundo alguns dos técnicos que dirigiram o estudo, isto pode ser explicado pelo fato de que nove em dez telemaníacos (a palavra tem cabimento) pesquisados após este ou aquele outro programa conversavam e discutiam-nos com amigos ou com a família. É aquela coisa: da discussão nasce a luz, pois não? Um programa de televisão, e vale até telenovela das seis, pode ser adaptado para qualquer ponto de vista político ou ético.

Da telenovela das seis voltemos ao Homero, ou Homer, dos Simpsons. 54% dos pesquisados afirmaram que o gorduchão pater familias, mesmo dublado, até mesmo em português do Brasil, era e é, em tudo e por tudo, semelhante a muita gente de carne e osso e com cor de pele normal e não amarela.

Um pequeno problema apenas. Um em cinco dos pesquisados e estudados expressou sua crença de que os personagens fictícios têm tanta credibilidade quanto o locutor e a locutora que nos traz a todos as notícias todas (sempre terríveis) de todos os dias.

Próxima missão da equipe pesquisadora: acreditar em Papai Noel ajuda a entender a economia de mercado ou isso não passa de lenda?

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