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Ivan Lessa: O amor e a poesia de Gonçalves Dias

Apesar de nascido na cidade de Caxias, no Maranhão, Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), foi um dos grandes poetas brasileiros do século 19, sendo que em nossa literatura, além de ter se dedicado à dramaturgia, constitui um nome sempre estudado e, de certa maneira, ainda atual, pelo menos nos campos acadêmicos. Sua obra pode ser enquadrada no Romantismo.

BBC Brasil |

Procurou ele formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos, povos e paisagens brasileiras na literatura nacional. Ao lado de José de Alencar, desenvolveu o Indianismo, que é preciso não confundir com conceitos ligados ao imenso país da Ásia Meridional, mas sim à idealização de nossos silvícolas, ou indígenas, resgatando, assim, o conceito de "bom ou nobre selvagem" segundo Jean-Jacques Rousseau, onde a sociedade corrompia o homem e o homem perfeito. Dada sua importância na história de nossa literatura, podemos dizer, sem medo de errar, que Gonçalves Dias incorporou uma ideia de Brasil à literatura nacional. Essa foi uma das peculiaridades do Romantismo no Brasil, possuindo ainda menor extensão nas artes plásticas durante o século em que viveu.

Há uma geração que estudou e aprendeu, em suas primeiras letras, o célebre poema épico I-Juca Pirama, que, traduzido do tupi, equivale em português àquele que há de ser morto e que é o grande tema da obra. Quase, avant la lettre, um filme de Clint Eastwood, em sua fase de faroeste italiano, apresentado em dez cantos, organizados em forma de composição dramática. Todos os cantos sempre pautados pela apresentação de um índio cujo caráter e heroísmo são salientados a cada instante. Quem, com mais de 50 anos, não há de se lembrar, ao menos que seja, dos seguintes versos:
"Meu canto de morte
Guerreiros ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi."
Mesmo hoje em dia, algumas linhas de sua Canção do exílio, de 1847, volta e meia são citados nos meios alfabetizados da grande "diáspora brasileira" do século 21. Quem não será capaz de repetir de cor e salteado:
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá,
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nossos céu tem mais estrelas
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores"
Tendo ido à Europa em 1862 para um tratamento de saúde, Gonçalves Dias não obteve resultados, como ainda hoje sói acontecer, e, ao retornar ao seu Brasil das palmeiras e dos sabiás, no navio Ville de Boulogne, este naufragou na costa brasileira, tendo todos se salvado exceto o poeta que foi esquecido em seu leito e se afogou. Esperemos que, ao menos, tenha vislumbrado febril, em seus derradeiros instantes, miríades de estrelas só nossas e se lembrado dos nossos bosques mais cheios de vida e nossas vidas mais plenas de amores.

E é o amor meu verdadeiro tema nestas linhas. Não almejo enganar o leitor com essa breve, mera pátina, de cultura ufanista, beirando talvez o provincianismo, mas é a única maneira decente de apresentar, sem o aleivoso alarde do escândalo, dados que andei catando na semana passada em diversas folhas, desta terra (sem palmeiras) e outras (com palmeiras): o casamento para ser duradouro tem que ter sexo, afirmam especialistas. O sexo alivia o estresse, aumenta a intimidade, queima calorias, é o mais agradável dos exercícios, beneficia a saúde do coração, além de reduzir dores várias, diminuir o risco do câncer na próstata, melhorar a musculatura pélvica e ajudar a dormir melhor.

Tem mais: pesquisas fidedignas revelam que 4 em 10 homens com mais de 75 anos estão fazendo sexo, mas apenas 2 em 10 mulheres entregam-se aos prazeres da "besta dos dois costados", para empregar um eufemismo culto que não seria mistério para o grande Gonçalves Dias, precocemente falecido aos 41 anos, antes dessas hoje corriqueiras novidades ditas "românticas".

Sim, mas onde está a poesia nisso tudo? Terá naufragado num leito como o poeta romântico indianista? Essa é a verdadeira questão.

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