Os habitantes do Real Bairro de Kensington & Chelsea, em Londres, são trinta e poucos, introvertidos, gostam de ficar sentados em seus jardins particulares, comem ou num restaurante chinês, o D Sum, ou num italiano, o Pappardella. Nos fins-de-semana, bebem chope na rua, com a camisa azul do Chelsea.

Diaristas filipinas caminham apressadas pelas ruas, celular colado ao rosto. Dois ou três profissionais levam cães de estimação para passear e limpam tudo que eles (os cachorros, claro) fazem nas ruas. O nome do jornaleiro em frente à estação de Gloucester Road é Pete e trata-se de um senhor de maus modos com quem não se deve buscar a menor intimidade.

Só. O lugar onde moramos, esse aí acima, no meu caso, é limitado ao pouco que observo ou me dou ao trabalho de notar e, agora, anotar. Basta não me chatearem que tudo bem.

Ao que parece, além de pouco científico, meu parecer não chega sequer a beirar o impressionismo. Há estudos bem mais sérios. Em profusão. O realizado pela Universidade Cambridge, tendo à testa o professor Jason Rentfrow, andou liderando algumas pesquisas a respeito, levadas, e se levando, muito a sério.

O ilustre professor declarou que os resultados referentes a todo o Reino Unido são, além de sutis, por demais práticos, uma vez que, indicando o lugar que escolhem para viver, as pessoas, juntamente com o cônjuge, filhos e animais de estimação, estão automaticamente revelando não só gosto e preferência como também características pessoais.

Numa Grã-Bretanha onde a mobilidade é cada vez maior (esse pessoal não para quieto), os londrinos são os que apresentam mudanças mais rápidas, elevados níveis de criatividade e intelecto mais alto grau de extroversão. Isso quando comparadas às pessoas que vivem e moram no País de Gales, Escócia, Irlanda do Norte e o resto da Inglaterra. Para não mencionar o fato de que os trabalhadores londrinos são 25% mais produtivos do que os outros do resto do país.

Os mais introvertidos são os galeses, segundo o estudo. Os mais neuróticos, nas regiões inglesas, são as pessoas de Devon, Cornuália, Northumberland e Tyneside.

O Pete, jornaleiro que já mencionei, deve ser de uma dessas localidades. Irlandês do Norte garanto que ele não é, uma vez que estes são tidos como mais agradáveis e extrovertidos do que até mesmo os londrinos.

Os escoceses, segundo consta, são mais simpáticos que os londrinos, mas desconfiam de novas experiências. O nordestino é o menos extrovertido e o mais enrustido dos ingleses.

Não entendo porque tanta preocupação com extroversão e introversão. O estudo em questão parece deixar claro que introversão não é das qualidades mais simpáticas. Peço licença para discordar. A introversão, conforme observei no início deste papinho, reina em meu bairro e acho ótimo. Passei boa parte de minha vida entre extra-extrovertidos e posso garantir: não paga a pena.

Por favor, um pouco mais de moderação, ó cidadãos britânicos.

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