Ivan Lessa: Clima ameaçará nossa feijoada?

Nesta semana, os cientistas britânicos, especializados em meteorologia, ora reunidos em Londres, a fim, quero crer, de trocar más notícias, resolveram chover primeiro bem em cima da ensolarada Itália. Avisaram, em afinado coro, que muito em breve o simpático país europeu, de longa história e muitas dádivas ao mundo das artes, terá de passar sem uma de suas inúmeras glórias doadas, também, à gastronomia mundial: a massa.

BBC Brasil |

Isso. A massa. Todas as massas. Que levem trigo Durum, ingrediente indispensável a... pense aí num tipo de massa que lá você o encontrará. Não há macarronada que se preze que não leve o famoso e dadivoso trigo.

Esclarecendo as coisas um pouco para aqueles que gostam de comer mas não são chegados a dar uma conferida numa cozinha ou mercearia. Vamos lá:
Massa de trigo Durum. É feita segundo o processo 'trafilatura al bronzo', preparada segundo o mesmo processo que a massa profissional. Cumprindo as normas mais rigorosas, apenas o trigo de mais alta qualidade é escolhido para produzir a mais requintada e excelente farinha de trigo, rica em glúten. A massa é submetida a secagem lenta e a uma temperatura constante, para reter as suas qualidades e sabor típicos.

Características:
Não contém ovos. Massa de trigo Durum de qualidade, com elevado teor de glúten (apenas o miolo da semente é usado). Produzida segundo o processo 'trafilatura al bronzo' (a massa de preparação é deitada lentamente em formas de bronze fundido). Processo de secagem lento, a uma temperatura constante. Os molhos aderem à massa. Já dá para abrir o apetite, né mesmo? Pois então coma com prazer e orgulho seu fusilli, penne, a massa que mais lhe falar ao paladar. Um chiantizinho acompanhando, todos nós sabemos, nunca pega mal.

Agora, a receita de cientista meteorológico, esses chatos de galochas e guarda-chuva. Cismaram porque cismaram que o trigo Durum não poderá mais ser plantado, cultivado e, na devida época, colhido. Não que vejam mal algum no cultivo e processamento. Apenas que esse tipo de cientista, ao contrário de mestre-cuca italiano chamado Luigi, não canta, bem ou mal, ária de ópera (nem mesmo La donna è mobile) enquanto trabalha e é tudo chegado a dar má notícia.

Vaticinaram eles, em comunicado oficial, que a partir de 2020 - e por que não 2015 ou 2025? - o trigo Durum italiano vai ficar cada vez mais difícil de plantar, colher e processar. Não pararam aí os bonecos: com um vasto sorriso lá no fundo da ventania perpétua que varre suas almas avisaram que provavelmente a produção do afamado e querido trigo terminará por completo.

Como "provavelmente"? Os senhores são cientistas e esse advérbio não deveria constar de vosso vocabulário. Vão de efeito estufa, condições climáticas ou climatéricas, arrefecimento global, raios e trovoadas, o que bem entenderem e que mais nos chateie, mas sem "provavelmentes". Sede científicos, senhores cientistas. Trabalham vossas excelências com meteorologia, que, cá entre nós, não leva o menor jeito de ciência. É "ciência", mas entre aspas debochadas. De resto, forget it.

Não li, mas fontes fidedignas me garantem que os cientistas meteóricos, digo, meteorologistas, começam agora a voltar sua atenção para o feijão brasileiro e as chuvas ou mesmo garoas que sobre ele se abatem. Ou deixam de abater. Vem besteira aí. Aproveitem, brasileiros, aproveitem. E vão logo pedindo mais uma caipirinha para aguentar as estultices que, não perdemos por esperar, por certo a turma anda bolando para nós.

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