Ivan Lessa: Benditos bilionários

O mundo seria mais triste sem os bilionários. Nada para se ler no jornal, ver na televisão ou conversar no boteco a não ser os pobres.

BBC Brasil |

Os pobres do mundo inteiro. Fazendo a única coisa que os pobres sabem fazer direito: serem pobres.

Ser bilionário é mais complicado. O cifrão é mais em cima. As febres suínas ou aviarias não os afeta, mas uma pequena queda no rol de bilionários é mais que um baque. Beira o desastre. Pior que tudo, a vergonha social. Como enfrentar os bilionários que ascenderam ou - felizardos - ao menos mantiveram suas posições nas listas?
Domingo, dia 26 de abril, o Sunday Timespublicou sua anual lista dos 1000 mais ricos na Grã-Bretanha. Numa revista à parte, 112 páginas, bom papel, preço incluído no jornal de sempre. Na primeira página do primeiro caderno, a cores, fotos de seis dos que mais entraram pelo cano nos últimos 12 meses. Elton John, Catherine Zeta-Jones, J.K. "Harry Potter" Rowling e mais duas figuras muito populares nos meios mediáticos locais, cujo nome, por uma vez na vida, não interessa agora.

O importante, para o jornal do bilionário australiano e naturalizado norte-americano, Rupert Murdoch, é que essa turma seleta consta, e como, da relação dos que foram atingidos pelos recentes tumultos no mundo das economias domésticas.

O Sunday Timestem uma circulação de perto de 1 milhão e 300 mil exemplares. É apenas um semanário milionário. Até agora. Seus editores conhecem seu leitorado. Podem não ser pobres credenciados, beiram as classes alta e média e a eles o que interessa é saber quem perdeu quanto. Nisso está a graça toda da empreitada jornalística. Gozar com queda dos cifrões dos outros.

O mundo, nessa sua última cambalhota econômico-financeira, mudou um pouco. Quase nada, mas mudou. Para ser vulgar como um pobre ou uma pessoa remediada: a gente quer é que eles se danem. Torcer por este ou aquele hóspede da casa do Big Brother começa a perder o seu charme. As desgraças daquele que já foi cognominado, talvez injustamente, não sei, de "Continente Negro", deixaram de ser interessantes. O mundo islâmico é imprevisível e mete medo. A todos. Bilionários ou apenas, coitados, milionários. Resta torcer para que o máximo de ricaços perca um mínimo que seja. Um milhãozinho ou dois não pegaria mal para quem está aqui nas arquibancadas da vida.

O Sunday Timesafirma que, somadas, as fortunas dos mil bilionários da Grã-Bretanha totalizam perto de 258 bilhões de euros, ou seja, em dinheiro nosso (deles, né? Vocês sabem quem), R$ 830 bi. Mas vamos ao filé-mignon da coisa: há uma perda de 155 bilhões, ou R$ 499 bi com relação à soma de 2008.

Triste, triste, triste. Sniff, sniff, sniff. O periódico dá como de 37% a queda no valor da fortuna, o que representa o pior desempenho dessa turma boa desde que, há 21 anos, a publicação começou a compilar a lista.

Como dizem, algo enigmáticas, altas autoridades econômicas mundiais: essa lamentável performance se deve especialmente aos efeitos da crise econômica global.

Resta o que os twitters não cansam de repetir, com exclamações antes e depois da análise que resume toda a questão:
!!! o dinheiro não compra a felicidade !!!

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