Ivan Lessa: 8 minutos e 22 segundos

Procure chatear um cidadão britânico. Deboche da gravata que ele está usando.

BBC Brasil |

Peça dinheiro emprestado. Faça perguntas embaraçosas sobre sua vida particular.

Ele ouvirá tudo com paciência. Por 8 minutos e 22 segundos. Depois, vire-se. Cuidado com o homem que a paciência dele esgotou-se. Se você é capaz de fazer 100 metros em poucos minutos, pegue uma reta e vá em frente. Certifique-se que ele não esteja correndo atrás de você.

Por que 8 minutos e 22 segundos? Porque é quanto demora a paciência do britânico médio. Segundo uma dessas pesquisas que eu vivo pesquisando e que passaram a ser a razão de minha vida. Não tenho mais paciência (nem por 2 minutos e 17 segundos) para ler sobre Tiger Woods ou Barack Obama recebendo Prêmio Nobel da Paz por boa intenção ao enviar mais 30 mil soldados para o Afeganistão. Encheram minhas medidas também toda e qualquer matéria sobre bancos, banqueiros e bonificações. Não pegam minha atenção nem por frações de segundo.Dubai? Consegue me prender a atenção por 3 minutos e 6 segundos. Porque acho interessantes aqueles arquipélagos em formato de palmeira e de mapa mundial.

Sou, pois, mais ou menos tão impaciente quanto os habitantes locais que me cercam. Fiquei sabendo disso tudo, feito eu ia dizendo (tenham um pouco de paciência comigo), graças a uma pesquisa feita pelo servidor de banda larga Talk Talk. Assim mesmo, repetindo duas vezes. Como se estivesse tentando se comunicar com um surdo. A equipe encarregada de levantar dados sobre os britânicos chegou a outros resultados que podem provocar uns bons 4 minutos e 12 segundos de atenção entre leitores desavisados.

O servidor Talk Talk batizou esses 8 minutos e 22 segundos de "ponto de impaciência". Desandou ainda a enumerar literalmente outros - chamemo-los assim - PIs. No que diz respeito a ele ele mesmo mesmo (essa mania de repetição é contagiante contagiante), 3 minutos e 38 segundos é quanto o cidadão aguenta esperando um website baixar. Mais que isso, não dizem o que acontece. Tem mais. Mais.

5 minutos e 4 segundos é até onde dá para os inglese, ou até mesmo os filosóficos galeses, aguentarem na linha ouvindo aquela chatice de musiquinha até que uma voz de gente de verdade atenda para saber qual é o problema. Mais que isso, desligam. Parece.

5 minutos e 6 segundos se você, companheiro, resolveu ficar do lado espiando e esperando a chaleira ferver. Sim, claro, chega-se lá, uma vez que o chazinho é indispensável e resolve todos, ou pelo menos 68%, dos problemas dos britânicos.

Vamos a um restaurante. 8 minutos e 38 segundos é a média de espera até ser servido, sem perder a paciência ou virar a mesa e partir de dedo em riste e desaforo na boca para cima de garçom ou gerente. O fato de que não há "pontos de impaciência" num McDonald's deve-se a motivo simples: quem chamar os postos de "comida rápida" de restaurante não tem nem merece "ponto de impaciência". Não chateiem e divirtam-se com o Big Mac e o milk-shake de chocolate.

Voltando aos "pontos de impaciência". Segundo as pesquisas do servidor o que acontece após os prazos tão precisos dados pela pesquisa é o seguinte: 37% das gentes cancelam o pedido original de serviço, 35% pedem para falar com o gerente, 27% começa a gritar, 26% bate o telefone, 14% se manda e 3% joga alguma coisa na parede do outro lado da sala.

O Talk Talk não tem boas notícias. Segundo o servidor, as coisas tendem a piorar. A impaciência dará o ar de sua desgraça cada vez mais cedo e, não bastasse, aqueles com menos de 45 anos têm mais probabilidade de partir para a violência física do que os mais velhos. Também, pudera. É que nos falta a nós a condição física sumida há 23 anos, 7 meses, 2 semanas, 4 dias, 6 horas, 34 minutos e 11 segundos.

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