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Ivan Lessa: 1º de Abril: The Sequel

E tome Primeiro de Abril. Segura que o Dia dos Bobos não acabou ainda e promete continuar.

BBC Brasil |

Pior é que ninguém pode dizer que foram enganados na casca do ovo, conforme a praxe tradicional. Continuam caindo.

Deem uma espiada pela janela na rua lá fora. Eu dei. Garantem-me que é Primavera. Temperatura batendo nos 12 ou 13 graus, abaixo de zero à noite, e chuvas que nem ligam para o costume de serem chamadas de "esparsas". São constantes e concentradas mesmo. Pelo que ouço dizer, o outono também anda se fazendo de rogado no Hemisfério Sul. As chuvas que aqui desabam, por aí desabam também.

E tome Primeiro de Abril. Que esse ninguém segura.

Tenho a impressão que tudo começou com a revelação espantosa do cantor com a mania de "vivir la vida loca", Ricky Martin. Declarou-se abertamente, para que o mundo todo soubesse, que ele era portorriquenho de nascimento. Foi uma espécie de blefe duplo em cima do Primeiro de Abril. Era verdade.

A tradição britânica dos jornais, sérios ou galhofeiros, publicarem ao menos uma notícia fajuta prosseguiu inabalável. O Guardian, todo serião, dedicou sua página 3 para a campanha publicitária do partido Labour, do primeiro-ministro Gordon Brown, para os cartazes de rua dedicados à sua promoção nas eleições gerais que deverão ter lugar agora em maio. Coisa fina, caprichada, os cartazes mostrados. Num deles, Gordon Brown, em baita close, com as feições informaticamente modificadas para um hooligan brigão, dizia, como se estivesse falando com o candidato da oposição David Cameron, líder de pedigree educacional impecável de tão bem (e eu vou dublar, ou traduzir no espírito da coisa): "Então, mocinho? Quer resolver esta questão lá fora no peito?" Por aí. Foi divertido.

Outras coisas não foram divertidas. E continuo na dúvida se fazem parte da outra tradição do Dia dos Tolos: publicar ou divulgar (pelo rádio ou televisão) notícia com todo jeito de Primeiro de Abril só que pra valer, batatolina, um outro tipo de blefe.

Exemplifico.

Anna Paquin, aquela menininha do filme O Piano, de dona Jane Campion, hoje uma glamorosa estrela da televisão americana, numa vampiresca série das mais cults, True Blood, confessou-se, por ordem, de origem canadense e neozelandesa de nascimento. Sua admissão, ao contrário da de Ricky Martin, não fez escala em Puerto Rico. Mesmo estando noiva de seu parceiro de série, o britânico Stephen Moyer, Anna admitiu, de público, mesmo para quem não estivesse interessado, ser bissexual. Moyer moitou. Nada disse, nada acrescentou.

Ainda a misteriosa vida dos armários e as igrejas. O pregador da Casa Papal comparou a indignação contra as manifestações, sob qualquer forma, contra o propalado abuso sexual de crianças, mais comumente chamado de pedofilia, ao antissemitismo. Um tsunami de indignação varreu o mundo. O Vaticano correu, mesmo naquelas pesadas e luxuosas vestes, a negar e dizer que não é bem, ou nada, assim. O mal já estava feito e o pronunciamento do Papa na Páscoa nem chegou a tocar no assunto.

Quanto aos anglicanos, pegou mal, muito mal, segundo os irlandeses, as declarações do arcebispo Rowan Williams, líder da Igreja Anglicana, dizendo que a Igreja Católica na Irlanda perdeu crédito ao reagir contra seus comentários sobre o abuso sexual das crianças. O arcebispo de Dublin se disse chocado.

Agora aos monumentos. Foi divulgado o horror arquitetônico que deverá "enfeitar" (cortem esse T) Londres durante os Jogos Olímpicos de 2012. Mais alto que a Estátua da Liberdade e nosso Cristo Redentor, mas perdendo para a Torre Eiffel e a Grande Pirâmide de Gaza. É ver para crer. O nome já dá uma pala: a Órbita ArcelorMittal. Mittal é o homem mais rico do Reino Unido. Negócio dele é como a pirâmide-órbita: metal.

Não esquecendo do monumento erguido no Senegal (esse é 10 metros mais alto que nosso Cristo Redentor) e se destina a comemorar a - e cito - "Renascença Africana". 40 metros de altura e um custo de US$ 27 milhões. Exatamente o que a África precisava.

Finalmente, saibam que os espanhóis, em sua sabedoria, resolveram tirar das ruas a última estátua dedicada ao ditador Francisco Franco. Quer dizer: ainda havia uma.

O Primeiro de Abril, impávido e altaneiro, continua, como conosco levou 21 anos (1964-1985) para parar com isso e aquilo outro. Se é que parou.

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