Itamaraty reitera que oferta de asilo à iraniana foi oficializada

Após embaixador do Irã no Brasil negar oficialização da proposta, governo brasileiro detalha encontro entre diplomatas

iG São Paulo |

O Ministério das Relações Exteriores reafirmou nesta sexta-feira que o governo brasileiro fez ao Irã uma oferta formal de asilo para Sakineh Mohammadi-Ashtiani, condenada à morte pelo crime de adultério.

Na terça-feira, o governo brasileiro já havia dito que a oferta tinha sido feita, mas na quinta-feira, em entrevista à Agência Brasil, o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, negou que seu governo tenha recebido uma oferta formal. "Não houve ofício por escrito, nota oral ou troca de notas, como é a orientação na diplomacia em casos assim", disse o embaixador à agência.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, o Itamaraty deu mais detalhes sobre como a oferta teria sido feita. Segundo o comunicado, uma reunião oficial foi realizada no dia 4 de agosto entre o embaixador do Brasil em Teerã, Antonio Salgado, e o vice-ministro interino para as Américas do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

De acordo com o Itamaraty, o objetivo da reunião foi "transmitir oficialmente o apelo referente à cidadã iraniana" e "a oferta de recebê-la no Brasil". "O Itamaraty considera que a gestão realizada pelo embaixador do Brasil em Teerã constitui, do ponto de vista diplomático, formalização da oferta", diz o texto.

"O Itamaraty confia em que o apelo feito com base em considerações puramente humanitárias e no bom relacionamento entre os dois governos, que não visa a interferir na soberania iraniana, receberá a devida atenção das autoridades daquele país", completa.

Resposta

Na entrevista à Agência Brasil, o embaixador iraniano descartou o envio de Sakineh ao Brasil, com o argumento de que a mulher condenada é iraniana, o que, segundo ele, "elimina a possibilidade de outro país ser incluído no processo".

O Irã ainda não deu uma resposta oficial ao Brasil, mas o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano afirmou, na semana passada, que o presidente Lula tem "personalidade emotiva" e fez a oferta sem "informação suficiente" sobre o caso.

A proposta brasileira foi apoiada por ativistas que defendem os direitos humanos no Irã, mas foi criticada por setores mais conservadores ligados ao governo do país.

Ashtiani, de 43 anos, está presa no Irã desde maio de 2006, quando um tribunal na Província do Azerbaijão Ocidental a considerou culpada por manter “relações ilícitas” com dois homens após a morte de seu marido.

'Confissão'

Na noite desta quarta-feira, a TV estatal iraniana levou ao ar uma suposta entrevista com Sakineh, em que a iranina admite ter conspirado para matar o marido. A "confissão" foi condenada pela Anisitia International, organização de defesa dos direitos humanos.

De acordo com a ONG, "confissões desse tipo (transmitidas pele televisão) têm sido repetidamente usada pelas autoridades iranianas para incrimar pessoas que estão sob custódia". Ainda segundo a Anistia, muitos desses indivíduos acabam "retirando" a confissão tempos depois, com o argumento de que foram "coagidos, às vezes sob tortura".

Com BBC

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