Itamaraty faz ressalvas a ida de deputados a Honduras

BRASÍLIA - Apesar de reiterar que não vê impedimento para a ida de uma comitiva de deputados federais brasileiros para Honduras, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ponderou nesta terça-feira que há limitações para o apoio oferecido pelo governo brasileiro.

Sarah Barros e Camila Campanerut, de Brasília |


A equipe brasileira [na embaixada] é pequena e o governo brasileiro não se comunica com o governo golpista de Honduras. Não temos nada contra [a ida dos deputados], mas temos esta limitação, disse ele, após reunião com senadores sobre a crise no país da América Latina.

Em almoço com alguns dos deputados que formam a comitiva, Amorim afirmou que dará apoio à viagem. Segundo o coordenador do grupo, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), o apoio começou já nesta terça-feira, quando dois embaixadores do Itamaraty estiveram com a comissão externa da Câmara para dar informações sobre Honduras. Estamos com tudo pronto para embarcar amanhã de manhã, reiterou o deputado.

No roteir, está uma reunião com o presidente do Parlamento hondurenho e uma visita a embaixada do Brasil, onde o presidente deposto, Manuel Zelaya, está abrigado há mais de uma semana. Os deputados também devem encontrar representante da comunidade brasileira em Honduras.

A comitiva pretende partir de Brasília em direção a El Salvador em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). De lá, eles seguem em voo comercial para a capital de Honduras, Tegucigalpa. Não há intenção, segundo os parlamentares, de intermediar um acordo entre o presidente deposto e o governo instalado após golpe.

Para o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), é compreensível que haja limitações no apoio do Itamaraty à comitiva, mas ele reitera que esta limitação não impede o trabalho dos parlamentares em Honduras. "Desde o começo tomamos a decisão de não acionar o Itamaraty para qualquer interferência diplomática porque o governo não pode fazer isto, uma vez que não reconhece o governo instalado", destacou.

Ele reforçou que a ação dos parlamentares brasileiros será feita junto ao Parlamento local, em uma diplomacia parlamentar. "Queremos compreender a situação de quase 500 brasileiros que moram em Honduras. Vamos passar longe do conflito [Roberto] Michelleti e Zelaya", afirmou, se referindo à disputa de poder presente em Honduras.

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