Dionísia Rosa da Silva, 77 anos, ficou três dias retida no Aeroporto de Barajas, em Madri, impedida de entrar na Espanha

O diplomata Tovar da Silva Nunes, porta-voz do Itamaraty, disse nesta terça-feira que o Ministério das Relações Exteriores reiterou pedido de explicações ao governo espanhol sobre a aposentada Dionísia Rosa da Silva , de 77 anos, impedida de entrar na Espanha.

Segundo o diplomata, o governo brasileiro também solicita esclarecimentos sobre a alegação de maus-tratos a cidadãos brasileiros que tentam entrar em território espanhol.

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“Sabemos que a entrada no território e a concessão de visto é um ato de soberania, mas acreditamos que essa consideração deve ser feita em respeito aos direitos de todos os cidadãos”, disse Nunes, em São Paulo. “Estamos indagando sobre o que realmente aconteceu, porque achamos que uma senhora com a idade que tem e com o desejo legítimo de ingressar no país não merecia um tratamento como o que pareceu ter recebido”, completou o embaixador.

A partir de abril, os espanhóis que desembarcarem no Brasil serão submetidos a uma rígida lista de exigências, fixada pelo governo, para conseguir a autorização de entrada no país.

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A decisão é baseada no chamado princípio diplomático da adoção de reciprocidade. “Tentamos, por um bom tempo, aliviar os requisitos para a entrada de brasileiros [na Espanha]. Mas não foi possível. Eles mantiveram [a decisão]. Não houve muita alternativa ao Brasil senão aplicar esses requisitos de maneira semelhante”, declarou Nunes.

Retorno

A idosa brasileira desembarcou na noite de quinta-feira no Brasil. Dionísia foi barrada pela imigração espanhola e voltou ao País em um voo da companhia Air China que pousou no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos.

Dionísia chegou a Madri na segunda-feira acompanhada da neta, Amanda de Oliveira, mas não conseguiu entrar no país porque não teria a carta convite exigida aos brasileiros que chegam à Espanha para se hospedar com parentes ou amigos.

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Sem os requisitos legais para permanecer no país, os agentes ofereceram à família duas alternativas: comprar uma nova passagem para um voo mais próximo de volta ao Brasil ou aguardar até esta quinta-feira, quando sairia o voo da Air China, empresa pela qual a senhora havia viajado. A família preferiu esperar.

A polícia imigratória afirmou ao consulado brasileiro em Madri, que acompanhou o caso, que a filha e o genro de Dionísia, que hospedariam a senhora, estão irregulares na Espanha e não puderam fazer a carta convite, que precisa ser registrada em uma delegacia.

*Com Agência Brasil

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