Os italianos começaram a votar neste domingo nas antecipadas eleições legislativas, em que o líder da direita, Silvio Berlusconi, concorre como favorito contra seu adversário de centro-esquerda e ex-prefeito de Roma, Walter Veltroni.

As primeiras pesquisas de boca-de-urna dessas eleições, que serão realizadas neste domingo e na segunda-feira, são esperadas para as 10h00 de Brasília. Os resultados oficiais serão divulgados na terça-feira.

Os 47 milhões de eleitores poderão votar no domingo até às 22h00 locais (17h00 de Brasília) e na segunda entre 07h00 locais (02h00 de Brasília) e 15h00 (10h00).

"Hoje podemos mudar o país", escreve o jornal La Repubblica, enquanto o Corriere della Sera, de maior circulação no país, preferiu ser mais discreto: "Eleições, hora de escolher".

As últimas pesquisas autorizadas foram publicadas há quinze dias e apontavam para a volta ao poder, para um terceiro mandato, do milionário Silvio Berlusconi, de 71 anos, que lidera o novo Partido do Povo da Liberdade (PDL) aliado com Aliança Nacional (conservador) e a Liga do Norte (regionalista e populista).

Enquanto Berlusconi poderá obter sem grandes dificuldades a maioria na Câmara de Deputados, a incógnita reside no Senado, onde, em caso de derrota, poderia tornar o país ingovernável, como ocorreu durante os 20 meses do governo de Romano Prodi.

Prodi saiu do cargo em janeiro por não ter um número suficiente de senadores, o que provocou eleições antecipadas.

Para a câmara alta, que possui na Itália o mesmo peso que a Câmara dos Deputados, o direito de maioria é dado ao partido vencendo com base em cálculos regionais e é decidido e acaba por ser resolvido em regiões-chave.

Se os partidos menores tiverem bons resultados nessas regiões, os grandes partidos, como o PDL de Berlusconi e o novo Partido Democrata (PD) de Walter Veltroni, poderiam perder a maioria.

Os dois líderes pediram pelo "voto útil" para evitar uma dispersão dos eleitores ao longo de uma campanha considerada atribulada.

Contra Berlusconi, se apresente o ex-prefeito de Roma, Walter Veltroni, de 52 anos, que se apresenta pela primeira vez para um mandato nacional.

O número de indecisos duas semanas antes das eleições era de entre 25% e 30%.

Em caso de empate no Senado e vitória de Berlusconi, o magnata das comunicações terá que negociar alianças. Tal situação poderá dar um papel importante ao partido de centro-direita UDC, de Pier Ferdinando Casini.

A tensão sobre o que ocorrerá após as eleições podia ser percebida em vários editoriais da imprensa local.

"É um país que busca estabilidade e uma visão de futuro esse que vai às urnas", indica o jornal econômico Il Sole-24 Ore, enquanto o La Stampa pede a "modernização" da Itália.

"A primeira urgência do governo será reformar as instituições", em particular a lei eleitoral, assina o Corriere, acrescentando que a próxima equipe governista irá "herdar um país esgotado, estancado e privado de infra-estruturas modernas".

Além das eleições legislativas, os italianos irão votar também em várias cidades em comícios municipais - como em Roma -, e regionais - como na Sicília -.

Os telefones foram proibidos nas baias de votação. Fotografar o voto assim que ele é emitido para servir como prova é uma prática comum nas regiões onde a máfia possui influência e negocia votos, em especial no sul do país.

fmi/fb

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