Italianos usam parapente para gerar energia

Engenheiros italianos estão trabalhando para aperfeiçoar o protótipo de uma vela que, inspirada nos movimentos do kitesurf e do parapente, seria capaz de capturar o vento para gerar energia elétrica. Os pesquisadores, da Universidade Politécnica de Turim e da empresa Kitegen, iniciaram os estudos há quatro anos e esperam que a vela proporcione uma nova fonte de energia renovável.

BBC Brasil |

Segundo eles, a idéia é concorrer com os modernos moinhos de vento.

Chamado de Kitgen, o protótipo está em fase de aperfeiçoamento e consiste em uma vela com área de 10 metros quadrados. Em setembro do ano passado, o protótipo voou sobre as colinas perto de Turim, no norte da Itália, a 800 metros de altitude e conseguiu produzir 40kW de energia.

"O sistema serve, essencialmente, para substituir as grandes centrais de energia a petróleo, gás e energia nuclear", explica um dos idealizadores, o engenheiro Mario Milanese.

"Com ventos de cerca de 10 metros por segundo, ele já pode gerar de 20 a 25 kW - o suficiente para alimentar dezenas de casas", afirma Milanese
Investimento
Apesar do competitivo preço do sistema - 20 euros/MWh (cerca de R$ 50 por MW/h) - que é duas ou três vezes menor que o de fontes de energia não renováveis, a política do governo italiano aponta para outra direção: o investimento em energia nuclear.

Depois da crise de Chernobyl, um referendo popular realizado em 1987 tinha fechado as três centrais italianas em operação e a quarta em construção.

No entanto, o novo governo italiano anunciou a decisão de voltar a investir em energia nuclear.

Simulações feitas durante o estudo indicam que 200 velas podem gerar 1000 MW de energia - o equivalente a uma central nuclear média - a um sexto do custo e com risco zero para o meio ambiente.

'Pipa no ar'
O Kitgen funciona com um princípio simples, semelhante ao de uma pipa no ar. No entanto, sua realização é complexa.

A vela é ligada a uma plataforma mecânica móvel no chão, composta de turbina e gerador elétrico. Ela gira segundo a direção do vento e o movimento é transmitido para a estrutura em terra através de dois cabos presos em suas extremidades.

Eles também são usados para controlar as velas e são acionados por motores. Esta força "extra" gasta cera de 15% da energia produzida. A situação se complica ainda mais quando um verdadeiro carrossel roda no ar e na terra.

Ao aumentar a área de cobertura e a altitude das velas, a capacidade de captar a energia eólica multiplica-se de forma exponencial. Dezenas de velas podem ser sustentadas por cabos ligados a um rotor conectado nas turbinas capazes de acionar os geradores elétricos.

Um programa de computador coordena os movimentos das velas, distantes 80 metros uma da outra, através de sensores instalados nas pontas. Eles informam as condições do vento para uma central, de onde saem as manobras que garantem a trajetória, a estabilidade e a tração ideais.

O sofisticado sistema de navegação, equipado com GPS, permite manter uma rota em forma de oito no céu, com subidas e descidas. "As condições de uso são com ventos entre 5 e 35 metros por segundo. Acima ou abaixo destas velocidades os kites podem voltar para a terra", explica Milanese.

Alguns projetos semelhantes estão em andamento em todo o mundo, mas o italiano é o mais avançado.

Na Alemanha, um sistema eólico já é usado para abater os custos da viagem de cargueiros pelos mares. A vela solta no ar, mas presa por longos cabos na traseira da embarcação ajuda a impulsionar os navios e a localizar a rota mais rápida e econômica.

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