Roma, 21 mai (EFE) - O Conselho de Ministros da Itália aprovou hoje um decreto-lei para resolver a crise do lixo na região de Campânia (sul), cuja capital é Nápoles, que inclui a declaração de áreas militarizadas para os lixões e condenações penais para quem impedir sua utilização. Após a primeira reunião do Conselho realizada hoje em Nápoles, o presidente do Governo conservador, Silvio Berlusconi, anunciou que serão reabertos cinco lixões, um para cada província de Campânia, que serão considerados zonas de interesse estratégico nacional Serão verdadeiras áreas militarizadas, e estarão protegidos pelas forças armadas, disse Berlusconi, que acrescentou que o local onde eles se situarão só será divulgado após ser publicado no Diário Oficial do Estado. Além disso, quem entrar nessas áreas pode ser condenado a penas que vão de três meses a um ano de prisão. Já aqueles que causarem desordens que impeçam a normal utilização dos lixões poderão pegar até cinco anos de reclusão.

"O Estado voltará a ser Estado e não se aceitarão minorias que impeçam as obras ou se oponham à coleta e eliminação de dejetos", afirmou.

Nos últimos anos, a abertura de lixões encontrou obstáculos devido aos protestos dos cidadãos que se opunham a que estes ficassem perto de suas casas.

Mas, para muitos, por trás dos grandes problemas para resolver a situação das lixos e dos protestos dos cidadãos se encontra a Camorra, a máfia napolitana, que não quer perder o grande negócio da reciclagem ilegal de dejetos.

Para Berlusconi, o problema dos lixos, com cerca de cinco mil toneladas ainda sem serem recolhidas na região, tem que ser enfrentado como um cataclismo, como um terremoto ou uma erupção vulcânica.

Por isso, o primeiro-ministro italiano nomeou o chefe de Defesa Civil, Guido Bertolaso, subsecretário da Presidência, para ser o encarregado dos resíduos.

O presidente do Governo insistiu na necessidade de ativar na região quatro incineradores, e assegurou que o da localidade de Azerra será inaugurado até o final do ano, enquanto o de Salerno estará operacional dentro de 30 meses e se prevêem outros dois em Santa Maria la Fossa e em Nápoles.

O decreto inclui também sanções para as Prefeituras da região que não cumpram os programas de reciclagem, assim como cursos didáticos nos colégios para ensinar a correta gestão dos resíduos. EFE ccg/db

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