Itália se despede das vítimas do terremoto

LAquila (Itália), 10 abr (EFE).- A Itália se despediu hoje das quase 300 vítimas do terremoto que castigou o centro do país na segunda-feira passada com um emotivo e solene funeral de Estado presidido pelo secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, perante 205 caixões.

EFE |

Com este funeral, no qual puderam ser escutadas as palavras do papa Bento XVI, se disse adeus oficialmente às, por enquanto, 289 vítimas de uma tragédia que consternou a comunidade internacional e que ainda não terminou, pois os tremores continuam castigando o centro da Itália enquanto se procura cerca de 20 desaparecidos.

No funeral de Estado, que coincide com a festa católica da Sexta-Feira Santa e no qual estiveram expostos os caixões de cinco crianças, se pôde comprovar pela primeira vez a magnitude da tragédia humana, além das imagens de destruição que se viram nos últimos dias.

"Nestas horas dramáticas nas quais a tragédia descomunal se abateu sobre esta terra, sinto-me espiritualmente presente entre vós para compartilhar vossa angústia, implorar a Deus o repouso eterno pelas vítimas, a rápida recuperação dos feridos e a força para continuar e não cair no desalento", disse o papa em mensagem lida por seu secretário, Georg Gänswein.

O ato foi realizado no quartel da Escola da Guarda de Finanças de L'Aquila, a capital de Abruzos e uma das cidades mais afetadas pelo tremor de 5,8 graus na escala Richter da segunda-feira passada, e nele estiveram presentes os representantes das mais altas instituições do país.

Desde o presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, até o presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, passando pelo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi - que se mostrou muito afetado, chegando inclusive a chorar -, os mais altos cargos do Estado chegaram a L'Aquila para dar o último adeus aos mortos.

Bento XVI ressaltou que a violência do terremoto causou situações de grande dificuldade, mas que notou como desde o primeiro momento se levantou uma "crescente onda de solidariedade entre as pessoas, graças à qual se organizaram os primeiros socorros, em uma ação sempre mais incisiva do Estado, instituições eclesiais e privadas".

"Este é o momento do compromisso, em sintonia com os organismos do Estado, que estão trabalhando. Só a solidariedade pode permitir superar provas tão dolorosas", assegurou o papa, que pediu a Deus que seque cada uma das lágrimas e estanque as feridas.

Os prantos, sempre muito contidos e que deram uma amostra de uma grande dignidade, foram a nota predominante em um funeral com o qual se pretende pôr fim a uma tragédia na qual também ficaram desabrigadas cerca de 29 mil pessoas, que devem agora enfrentar o futuro com suas casas gravemente danificadas e, em muitos casos, em ruínas.

As cenas de dor se repetiram na Praça de Armas da Escola da Guarda de Finanças que hoje se parecia com um cemitério por causa dos mais de 200 caixões ali dispostos - o menor o de uma criança de apenas quatro meses.

Cada um deles, numerados, estavam cobertos por um ramo de flores e, em cinco casos, pequenos caixões, de pelo menos 20 crianças que perderam a vida, foram colocados junto ao de seus pais.

"Penso em tudo isto e sinto nascer a esperança no coração, pois se adverte já no ar que sob os escombros há já vontade de começar de novo, de reconstruir, de voltar a sonhar", disse o secretário de Estado vaticano.

Durante o funeral, Bertone teve uma lembrança especial para o bombeiro Marco Cavagna, que morreu de infarto por causa da extenuação dos trabalhos de resgate enquanto tentava buscar possíveis sobreviventes entre as ruínas de uma região, Abruzos, para cuja reconstrução serão precisos vários bilhões de euros.

O funeral, do qual participaram cerca de cinco mil pessoas e no qual um ímã pronunciou palavras em italiano pelas vítimas muçulmanas, representa um ponto à parte na tragédia humana do terremoto, pois agora cabe ao país virar a página e olhar para frente para conseguir erguer o que foi destruído. EFE mcs-cps-fab/ma

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