Itália prende mafiosos em resposta a distúrbios com imigrantes

Roma, 12 jan (EFE).- O ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, qualificou hoje as prisões de possíveis membros da máfia Ndrangheta, realizadas na noite de segunda-feira em Rosarno, como a melhor resposta para os distúrbios entre imigrantes e moradores da cidade italiana.

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Maroni fez essas declarações em um comparecimento perante o Senado sobre a violência gerada na quinta-feira passada na cidade, localizada no sul da Itália, após a agressão a dois imigrantes que derivou em um clima de confronto entre estrangeiros e moradores.

O ministro começou seu discurso com uma referência às prisões em Rosarno de 12 supostos membros do grupo mafioso calabrês por crimes de associação mafiosa e atribuição ilegal de bens.

As acusações também foram notificadas a outras cinco pessoas que já se encontram na prisão.

A Polícia italiana desvinculou diretamente essas detenções dos distúrbios em Rosarno, que terminaram com aproximadamente 50 feridos - quatro deles baleados.

Maroni, porém, tentou hoje no Congresso mostrar que o Estado não cederá perante o grupo mafioso, que algumas especulações apontam como principal responsável pelos distúrbios.

"Entre os destinatários das medidas restritivas notificadas na prisão está um destacado membro do clã Bellocco, detido durante os distúrbios de Rosarno, por ter investido contra um extra-comunitário", explicou Maroni.

"Esta é a melhor resposta que o Estado poderia dar após os gravíssimos fatos nessa zona. Esta é a enésima prova de que o estado na Calábria existe e seguirá existindo. Não dará trégua à Ndrangheta nem a nenhuma outra forma de criminalidade", acrescentou.

No Senado, Maroni condenou "todo tipo de violência" e explicou que a Procuradoria segue investigando a possibilidade de a máfia local estar por trás das agressões aos imigrantes para manter o controle sobre a agricultura.

O ministro italiano falou perante o Senado dos "sucessos" de seu Governo na luta contra a máfia e afirmou que a melhor forma de evitar situações como as de Rosarno é aplicar as atuais leis de imigração que existem na Itália e, assim, lutar contra a entrada de ilegais.

Segundo ele, a maioria dos imigrantes envolvidos nos confrontos tem permissão de residência na Itália e abandonou Rosarno "de modo voluntário" para evitar mais violência.

"As operações de mudança dos imigrantes aconteceram de forma voluntária e sem desordens", comentou Maroni, que em entrevista no domingo assegurou que seu Governo não faria exceções na aplicação da lei de imigração em Rosarno.

As autoridades italianas transferiram 748 imigrantes dos barracões e instalações de fábricas abandonadas em que viviam para centros de apoio das cidades de Crotona e Bari. Outros 330 abandonaram a localidade para por seus próprios meios.

"Os fatos de Rosarno evidenciam as consequências negativas que derivam da imigração ilegal, que o Governo seguirá combatendo sem titubear", sublinhou Maroni, que lembrou que nos dois últimos anos diminuiu 90% na Itália o desembarque de imigrantes ilegais.

De acordo com o ministro, a entrada ilegal na Itália de imigrantes "constitui o pretexto para a marginalização e a exploração de muitos estrangeiros".

O ministro do Interior negou que nos distúrbios de Rosarno tenha havido o envolvimento de cidadãos egípcios, depois das duras críticas lançada hoje do Governo do Egito.

Em comunicado, o Ministério de Assuntos Exteriores egípcio denunciou a "campanha de agressão" contra imigrantes e as minorias árabes e muçulmanas que, segundo ele, acontece na Itália e pediu ao Governo Silvio Berlusconi que tome medidas para a proteção desses grupos. EFE mcs/rr

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