Itália prende 12 mafiosos em cidade com tensão racial

ROMA (Reuters) - A polícia italiana prendeu na terça-feira 12 suspeitos de ligação com a máfia em uma cidade do sul da Itália atingida na semana passada pela violência racial. Numa ação apresentada pelo ministro do Interior como a melhor resposta à exploração de imigrantes pelo crime organizado, a polícia disse ter desmantelado o clã da máfia calabresa Ndrangheta, a mais poderosa do país, na cidade de Rosarno.

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Foram emitidos 17 mandados de prisão, sendo 5 contra pessoas já detidas por outras acusações.

O ministro do Interior, Roberto Maroni, citou as prisões para refutar críticas à forma como lidou com os confrontos entre moradores locais e imigrantes africanos, que deixaram mais de 50 feridos.

"Esta é a melhor resposta que poderíamos dar," disse Maroni ao Parlamento. "É a prova de que o Estado está presente na Calábria e não abrirá mão de caçar a 'Ndrangheta."

No fim de semana, o governo retirou a maioria dos imigrantes de Rosarno, mandando os que não tinham documentos de permanência para centros a partir dos quais podem ser expulsos para os seus países de origem. Outros foram ajudados a sair da cidade para evitar ataques dos moradores.

A oposição criticou Maroni por dizer que a violência em Rosarno se devia à excessiva "tolerância" com a imigração clandestina. Alguns articulistas da imprensa, inclusive no jornal do Vaticano, disseram que o racismo está em alta na Itália.

Cerca de 8.000 imigrantes clandestinos trabalham na Calábria, a maioria como diaristas na colheita de frutas e legumes. Críticos dizem que as autoridades fazem vista grossa até que deixe de ser politicamente conveniente fazê-lo.

Muitos imigrantes vivem em fábricas abandonadas, sem eletricidade nem água corrente, e grupos de direitos humanos afirmam que eles são explorados pela 'Ndrangheta.

Manifestantes saíram ao centro de Roma levando laranjas tingidas de vermelho, simbolizando a violência contra os imigrantes e sua exploração nos laranjais italianos.

(Reportagem de Gavin Jones)

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