ROMA - O governo italiano estuda a possibilidade de chamar para consultas seu embaixador no Brasil, Michele Valensise, depois de o ministro da Justiça, Tarso Genro, conceder asilo político ao ex-ativista Cesare Battisti, condenado na Itália à prisão perpétua.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo Ministério de Assuntos Exteriores italiano em comunicado divulgado em Roma, onde nesta quarta-feira o ministro de Relações Parlamentares, Elio Vito, confirmou à Câmara dos Deputados que seu governo não descarta a possibilidade de apresentar um recurso na Suprema Corte do Brasil.

As autoridades italianas continuam tentando pressionar o governo federal para que reconsidere sua decisão de conceder asilo político a Battisti, ex-ativista de esquerda radical, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos.

O anúncio acontece horas depois de o ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, assegurar à imprensa local que discutiria esta possibilidade com o titular de Exteriores, Franco Frattini.

Estão previstas para esta quinta duas concentrações em frente às legações diplomáticas brasileiras na Itália, uma em Milão e outra em Roma.

Os protestos serão comandados pela líder do partido de centro-direita Movimento para a Itália, Daniela Santanche, que não descarta até mesmo uma greve de fome contra a decisão brasileira.

"Acho que o Governo deve retirar imediatamente o embaixador da Itália no Brasil enquanto Battisti não for extraditado à Itália, especialmente em respeito às vítimas e à posição tomada pelo presidente (da República italiana, Giorgio) Napolitano", disse Santanche em comunicado.

Também na quinta, militantes do Movimento para a Itália começarão uma greve de fome em Roma, enquanto em Milão haverá uma série de declarações do filho de uma das vítimas do assassino Battisti, acrescentou.

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