Itália pede a Lula que reconsidere asilo político dado a Cesare Battisti

O ministério italiano das Relações Exteriores pediu nesta quarta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que reconsidere a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder asilo político ao ex-ativista italiano de extrema-esquerda Cesare Battisti.

AFP |

"A Itália faz um pedido ao presidente Lula para que sejam tomadas todas as iniciativas possíveis, dentro da cooperação judicial internacional na luta contra o terrorismo, para uma revisão da decisão judicial adotada", afirma o comunicado da chancelaria.

O ministério manifesta ainda sua "viva surpresa e lamenta profundamente" a decisão do ministro da Justiça do Brasil.

"Cesare Battisti é um terrorista responsável por delitos muito graves, que não têm nada a ver com o estatuto de refugiado político", destaca a nota da chancelaria italiana.

Tarso Genro concedeu na terça-feira o estatuto de refugiado a Battisti, de 52 anos, condenado na Itália à prisão perpétua por quatro homicídios que teria cometido entre 1977 e 1979.

O secretário de Estado do Interior italiano, Alfredo Mantovano, denunciou como "grave ofensa" a decisão do Brasil de conceder asilo político a Cesare Battisti, "um terrorista autor de várias mortes", segundo a agência Ansa.

"O governo italiano não pode aceitar tal decisão, em particular por causa do respeito às vítimas e seus familiares", criticou Mantovano.

Battisti, que fugiu da França em 2004, onde havia passado mais de 10 anos, e foi detido no Brasil em 2007, alega que é inocente dos crimes a ele atribuídos.

O vice-ministro do Interior italiano, Alfredo Mantovano, qualificou de "grave e ofensiva" a decisão do Brasil de conceder o estatuto de refugiado político e negar a extradição para a Itália.

"O governo italiano não pode aceitar uma decisão deste nível, sobretudo por respeito às vítimas e a seus familiares", declarou Mantovano.

"É uma decisão grave porque existe o temor concreto de que seja liberado, já que está detido no Brasil, e ofensiva, porque se considera que a Itália o persegue politicamente, o que é um insulto ao nosso sistema democrático", declarou Mantovano.

Vários membros do governo conservador reagiram com indignação contra a decisão da justiça brasileira, entre eles Maurizio Gasparri, porta-voz no Senado do partido governante Povo da Liberdade, que expressou "desconcerto e dor" pela decisão brasileira.

Um dos líderes da oposição de esquerda, Piero Fassino, do Partido Democrático, considerou a decisão do Brasil "equivocada".

"O processo a que Battisti foi submetido na Itália não foi por crimes políticos e sim por crimes muito mais graves, de sangue, que provocaram vítimas. Foi protagonista da antiga época do terrorismo e seria justo que os magistrados brasileiros tivessem maior consciência do que fazem".

Para Fassino, "tanto no Brasil como na França avaliaram de maneira errada os delitos ligados ao terrorismo político", em uma referência também ao caso de Marina Petrella, ex-integrante das Brigadas Vermelhas que a França se negou recentemente a extraditar para a Itália por razões de saúde.

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