Itália: número de mortos se aproxima dos 300

O número de mortos no terremoto de segunda-feira no centro da Itália se aproximava dos 300 nesta quinta-feira, às vésperas dos funerais nacionais e num momento em que que a polêmica aumenta em relação a falhas das construções na zona sísmica.

AFP |

Semeando temor entre os milhares de desabrigados, a terra continuou a tremer na região de L'Aquila, epicentro do sismo, com 65 abalos apenas na noite de quarta para quinta-feira.

Com pelo menos 281 mortos, entre eles 20 crianças, este tremor é considerado o mais mortífero dos últimos 30 anos na Itália, um país com risco sísmico elevado.

Dez mil prédios e casas foram atingidos seriamente, e o presidente da República, Giorgio Napolitano, pediu para que fosse feito um "exame de consciência", ao visitar os locais da tragédia.

"Numerosas pessoas estão envolvidas na construção de uma casa - o engenheiro civil, o inspetor (...), o mestre de obras. Ninguém deve fechar os olhos. Nem aquele que vende, nem aquele que compra", lançou, denunciando violações das normas de construção antissísmica e de atrasos na legislação.

Ele visitou um lugar simbólico da tragédia, a casa dos estudantes que ruiu como um castelo de cartas e de onde mais dois corpos sem vida foram retirados na madrugada desta quinta-feira.

Segundo as últimas contagens dos carabineiros de L'Aquila, entre 20 e 30 pessoas continuam desaparecidas e o número de feridos chegou a 1.170, entre eles 179 em estado grave.

O número de desabrigados é estimado em 28.000, entre eles 18.000 hospedados em grandes barracas de campanha azuis em condições difíceis devido à falta de água quente, chuveiros, banheiros químicos e eletricidade.

Num acampamento instalado numa pista de atletismo, Nicola Tudisco, um voluntário disfarçado de palhaço, distribuía ovos de páscoa às crianças.

"Os pequeninos sofreram um choque brutal, mas podem pelo menos brincar para esquecer (...) na realidade, são as pessoas mais velhas que precisam realmente de ajuda; são as mais traumatizadas", afirmou Tudisco.

Entre os tremores secundários, o mais forte, sentido nesta madrugada em Roma e em outras grandes cidades, teve magnitude de 5,2 na escala Richter.

As primeiras vítimas já começaram a ser enterradas.

Os funerais nacionais, nesta Sexta-Feira Santa, quando se comemora a paixão de Cristo, acontecerão às 11H00 (09H00 GMT) na presença do número dois do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, e de numerosos oficiais.

Bandeiras de quase todos os países estão hasteadas a meio pau e a quase-totalidade dos acontecimentos esportivos foram adiados.

Uma parte dos santos óleos consagrados durante a missa desta Quinta-Feira Santa pelo Papa foi enviada a L'Aquila em "sinal de profunda comunhão e de proximidade espiritual", destacou Bento XVI.

Entre 100 e 150 caixões, entre eles vários de crianças, deverão ser reunidos para esta cerimônia, que vai se desenvolver na escola de polícia fazendária, um dos raros locais de L'Aquila poupados pelo sismo.

O governo decidiu conceder uma soma que pode chegar a 400 euros mensais às famílias desabrigadas e pediu aos bancos que suspendam a cobrança de empréstimos imobiliários.

Segundo uma primeira estimativa governamental, pelo menos 1,3 bilhão de euros serão necessários para a reconstrução.

Várias vozes se levantaram para denunciar o risco de que a máfia se infiltre neste mercado.

Segundo Silvio Berlusconi, a reconstrução seria supervisionada pelo ministério da Economia em "total transparência".

kd-sd/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG