Itália investiga superfaturamento em obras para cúpula do G8

Roma, 13 fev (EFE).- Alguns dos encarregados das obras para a cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais industrializados e a Rússia) que iria acontecer em julho passado na ilha italiana de Madalegna superfaturaram valores em até 50%.

EFE |

A denúncia é fruto de uma investigação realizada pelas autoridades da cidade italiana de Florença. Com base nela, quatro pessoas foram detidas na quarta-feira acusadas de abuso de autoridade e corrupção. Entre os investigados, está o chefe da Defesa Civil italiana, Guido Bertolaso, assessor do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Segundo reportagem publicada hoje pelo jornal "Corriere della Sera", um dossiê elaborado a partir das investigações explica como o orçamento das obras para a reunião do G8 foi superfaturado para que, posteriormente, o dinheiro fosse desviado e dividido entre os envolvidos.

Conversas gravadas por escutas telefônicas revelaram que, para viabilizar o esquema, autoridades chegaram a oferecer favores sexuais em troca do superfaturamento de alguns valores.

De acordo com o "Corriere della Sera", a investigação foi iniciada depois que a Promotoria de Florença descobriu irregularidades na urbanização de uma área da cidade.

Segundo dados dos organizadores da cúpula do G8, que acabou transferida para L'Áquila depois que um terremoto devastou a região, as obras na ilha de Madalegna custaram 327,5 milhões de euros.

Como exemplo do superfaturamento nas obras, o juiz do caso incluiu nos autos do processo uma conversa mantida em 4 de setembro de 2008 entre Susanna Gara, funcionária do Ministério de Infraestrutura, e o engenheiro Fabio De Santis, um dos quatro detidos esta semana.

No diálogo, Santis conta a Gara que enviará para Bertolaso, o assessor de Berlusconi, "uma conta que será 100 milhões de euros maior" que a real.

Bertolaso, cuja renúncia foi várias vezes rejeitada pelo premiê italiano depois que o escândalo explodiu, negou ter conhecimento do esquema. EFE mcs/sc

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