A Itália está estudando a possibilidade de apresentar vários recursos judiciais contra a decisão do ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, de conceder o asilo ao ex-ativista de extrema-esquerda Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua no país europeu por quatro homicídios.

"Estamos pensando em apresentar uma instância de revisão ao ministro brasileiro e outro à Corte de Cassação brasileira", anunciou nesta quinta-feira o ministro da Justiça italiano, Angelino Alfano, em um importante programa de rádio da emissora pública RAI.

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PF brasileira prende Battisti em 2007

"Vou ligar para o ministro (Tarso Genro) para comunicar a ele a indignação das vítimas do terrorismo e do próprio Battisti, que foi condenado com critérios de absoluta garantia e tal como dispõe uma democracia", disse

"Estou decepcionado, surpreso e entristecido pelo fato de o Brasil tê-lo considerado um refugiado político. É um assassino, um criminoso", afirmou.

"Faremos tudo o que for possível e faremos pesar politicamente o fato de um país como o Brasil, que pretende contribuir para a democracia mundial com sua participação no G8 (Grupos dos sete países mais industrializados e a Rússia), não pode violar decisões adotadas pelas justiças de outros países", afirmou o ministro.

A Itália convocou o embaixador do Brasil quarta-feira para manifestar sua indignação e protestar contra a decisão da justiça brasileira de conceder asilo político a Battisti, uma medida inédita na história recente desses dois países.

Chanceler repudia decisão

A concessão do asilo político por parte do Brasil foi mais uma vez criticada nesta quinta-feira pelo chanceler italiano, Franco Frattini.

"Foi uma decisão politicamente equivocada porque considera a legislação italiana de maneira inaceitável", afirmou o ministro das Relações Exteriores.

O Ministério das Relações Exteriores italiano reagiu com uma nota incomum, na qual não apenas condenou a decisão de Tarso Genro, como também solicitou diretamente ao presidente Lula que reconsiderasse a decisão.

"Cesare Battisti é um terrorista responsável por crimes muito graves que não têm nada a ver com o estatuto de refugiado político", insistiu a Chancelaria italiana.

Battisti, que sempre se declarou inocente, alega que foi condenado pelo testemunho de um ex-companheiro na organização esquerdista, Pietro Mutti, que foi premiado por sua delação, e sem nenhuma prova da perícia.

Após viver na França por 14 anos, de 1990 a 2004, o ex-responsável pelo movimento dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), hoje com 54, fugiu para o Brasil em 2004, quando a Justiça francesa decidiu pôr fim à "jurisprudência Mitterrand", que o protegia, até então, de uma extradição para a Itália.



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