Itália estuda conceder cidadania a filhos de estrangeiros nascidos no país

Presidente Giorgio Napolitano levantou o debate e classificou como 'loucura' lei de cidadania que considera o direito de sangue

iG São Paulo |

AP
Presidente Giorgio Napolitano levantou o debate sobre filhos de estrangeiros nascidos na Itália na terça (16/11)
O novo ministro de Cooperação e Integração italiano, Andrea Riccardi, afirmou em entrevista publicada nesta quarta-feira que está em estudo uma lei para conceder cidadania aos filhos de pais estrangeiros nascidos na Itália.

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O presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, levantou na terça-feira o debate ao classificar de "loucura" e de "absurdo" que as crianças que nascem na Itália filhas de pais estrangeiros não sejam consideradas italianas. Napolitano disse esperar que essa iniciativa faça parte da consciência acerca da necessidade de "infundir uma nova energia em uma sociedade envelhecida, se não esclerosada".

Em entrevista publicada nesta quarta-feira pelos jornais La Republicca e L'Avvenire, Riccardi explicou que é preciso começar a pensar em uma lei sobre a cidadania e acrescentou que os filhos de imigrantes são parte do futuro da Itália e sem eles o país está destinado ao declive. Como explicou o novo ministro, fundador da Comunidade de São Egídio, "os nascidos na Itália juridicamente estrangeiros são cerca de 500 mil e os menores residentes são quase 1 milhão".

A atual lei sobre a cidadania segue o conceito de Ius Sanguinis, ou seja, o direito de sangue, o que significa que só crianças nascidas de pai ou mãe naturais da Itália podem ser consideradas cidadãs do país. Quando completam 18 anos podem pedir a cidadania - mas precisam demonstrar que viveram sempre na Itália desde o nascimento.

A possibilidade de mudar a dita lei poderia ser a primeira medida social aprovada pelo novo governo de tecnocratas presidido por Mario Monti , que substituiu o de Silvio Berlusconi . Essa possibilidade foi apoiada pelo chamado Terzo Polo, que inclui os partidos de centro e democratas-cristãos, o Partido Democrata e a Itália de Valores (IDV).

O partido de Berlusconi, Povo da Liberdade (PDL), anunciou que é contrário à medida e criticou a possibilidade de aprovação ao considerar que o governo de Monti foi designado somente para tratar de temas econômicos com o objetivo de tirar o país da crise.

Ainda mais duros foram os membros da Liga Norte, que ameaçaram com manifestações e "barricadas no Parlamento" se a emenda à Constituição for colocada em votação dizendo que trata-se de um "cavalo de troia", cujo passo seguinte é dar voto aos imigrantes. "A idéia de dar cidadania para qualquer pessoa nascida na Itália é uma perversão dos princípios contidos na Constituição", afirmou Roberto Maroni, membro da Liga Norte.

Com EFE

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