Itália espera que justiça brasileira extradite Cesare Battisti

A Itália espera que a justiça brasileira decida a favor da extradição do ex-ativista de esquerda Cesare Battisti, condenado por homicídio, a quem o Brasil concedeu status de refugiado político em janeiro, gerando uma grave crise diplomática entre os dois países.

AFP |

"Confio em nossos argumentos jurídicos e chegaremos até o final", afirmou nesta segunda-feira o chanceler italiano Franco Frattini.

O caso do ex-militante de um grupo armado, condenado na Itália por quatro assassinatos, será examinado a partir desta segunda-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil.

"Acompanharemos o assunto com muita atenção, e vamos trabalhar para conseguir um resultato; não deixaremos de tentar nada", acrescentou o chefe da diplomacia italiana.

Encerrado seu recesso de verão, o STF retomou as atividades nesta segunda-feira, inclusive o estudo do processo de Battisti - que teve o arquivamento recomendado pelo procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza.

A legislação brasileira não permite a extradição de refugiados.

"Battisti é tudo, menos um prisioneiro político que precisa de proteção", destacou o ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, em entrevista ao jornal Il Giornale. "Para mim, é um 'serial killer'".

"Se o Brasil não consertar o erro, as relações bilaterais correm perigo", advertiu.

Vários ministros e líderes políticos italianos de todas as tendências condenaram a decisão do Brasil, principalmente porque esta se baseia na suposição de que Battisti seria um "perseguido político".

Apesar disso, vários especialistas em Ciências Políticas, entre eles o professor Claudio Zanghi, da Universidade La Sapienza, de Roma, ressaltaram que a Itália já adotou os mesmos princípios do Brasil em outras situações.

"Já estivemos do outro lado da barricada, é verdade. A Itália concedeu refúgio aos palestinos que, em 1985, seqüestraram o navio italiano 'Achille Lauro', com 450 passageiros a bordo", lembrou Zanghi em um programa da rede de televisão Sky TG24.

"O caso de Battisti certamente pesará nas relações entre os dois países", alertou o especialista.

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