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Itália escolhe entre novidade de Veltroni e o tradicional Berlusconi

Roma, 12 abr (EFE).- Mais de 47 milhões de italianos comparecerão às urnas amanhã e segunda-feira para escolher entre uma nova política, representada pelo recém criado Partido Democrata (PD), nova cara do líder esquerdista Walter Veltroni, e a volta ao já conhecido Governo conservador do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

EFE |

As últimas pesquisas publicadas na Itália, com dados de duas semanas atrás, davam ao partido Povo da Liberdade (PDL), liderado por Berlusconi, vantagem de entre cinco e oito pontos percentuais sobre seu principal adversário.

No entanto, Veltroni assegurou em seus últimos comícios que essa distância desapareceu, e que seu partido está "a um passo de vencer as eleições".

Os analistas estão céticos quanto a um espetacular avanço do PD, mas advertem que o particular sistema de eleições para o Senado, que concede prêmios de maioria segundo os resultados em nível regional, poderia gerar um empate ou levar a uma diferença mínima.

Por isso, os dois principais candidatos à Presidência do Governo apostaram ontem suas cartas finais ao fazer na televisão suas últimas promessas eleitorais para tentar conseguir os votos dos indecisos, que chegariam a 30%, segundo as pesquisas de intenções de voto.

Os dois candidatos disseram que vão aliviar o bolso dos eleitores, e enquanto Veltroni prometeu fundos para aumentar pensões e salários, Berlusconi anunciou o progressivo desaparecimento do imposto de circulação.

Embora Veltroni tenha mais de 22 anos de vida pública, sete dos quais atuou como prefeito de Roma, pode ser considerado uma "cara nova" e "jovem" na política italiana, aos 52 anos de idade, frente aos 72 de Berlusconi e aos 68 do ex-primeiro-ministro Romano Prodi.

Além disso, nesta campanha eleitoral Veltroni apostou em dar espaço aos jovens para renovar a classe política e, assim, cedeu o primeiro posto das listas na região do Lácio (centro) e da Lombardia (norte) a candidatos de aproximadamente 30 anos.

Mas a principal novidade de Veltroni é sua decisão de prescindir do papel desempenhado pelos partidos pequenos nas coalizões passadas.

"Vamos nos apresentar sem alianças, correndo um risco, para fazer um favor à democracia", explicou ontem Veltroni no encerramento de sua campanha.

O PD foi criado em outubro passado, a partir da fusão entre o Democratas de Esquerda (DS) - herdeiro do Partido Comunista Italiano (PCI) - e o Margarida, de centro, antigos integrantes da coalizão de esquerda União.

Essa coalizão ganhou as eleições de 2006 e sucumbiu depois que o pequeno partido União Democrática pela Europa (Udeur), que obteve 1,4% dos votos nesse pleito, retirou seu apoio.

Por sua parte, Berlusconi, com dois Governos nas costas (um que terminou com dois anos e outro concluído em 2006 após cinco anos de legislatura), confia na recuperação do apoio da maioria dos eleitores, após o fracasso do último Executivo de centro-esquerda.

Seu programa é praticamente idêntico ao apresentado em 2006, da mesma forma que seus aliados, a Liga Norte (LN) e a Aliança Nacional (AN), com a única diferença do rompimento da União de Democratas Cristãos e de Centro (UDC), de Pierferdinando Casini.

Os grandes perdedores do duelo entre Veltroni e Berlusconi serão os pequenos partidos, que, se com o antigo sistema de coalizões conseguiam eleger representantes para o Parlamento, agora correm o risco de ficar fora.

É o caso da coalizão Esquerda-Arco-Íris (SA), que reúne o movimento Refundação Comunista, Os Verdes e o Partido Comunista Italiano (PCI), segundo as últimas pesquisas, pode conseguir cerca de 6% dos votos, contra 10,2% de 2006.

Alguns desses partidos pequenos não conseguirão superar a cláusula de barreira de 4% na Câmara dos Deputados, situação que se complica ainda mais no Senado, onde ela é de 8%.

No entanto, alguns deles podem assumir papéis decisivos, caso haja acordos diante de um resultado apertado no Senado. EFE ccg/wr/gs

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