Itália endurece legislação contra imigração clandestina

Sob forte pressão da extrema direita, os deputados italianos adotaram nesta quinta-feira uma polêmica lei de segurança interna e imigração que transforma a Itália em um dos países mais severos no combate à imigração ilegal.

AFP |

O texto foi aprovado com 297 votos a favor, 255 contra e 3 abstenções.

A lei cria um crime "de imigração e estada" clandestina, punido com uma multa que pode variar entre 5.000 e 10.000 euros (entre 6.800 e 13.600 dólares), tornando possível a denúncia judicial de imigrantes em situação irregular.

Além disso, amplia de dois para seis meses o tempo de detenção dos imigrantes nos centros de identificação e de acolhida.

"Fechamos as portas (da imigração), e só voltaremos a abri-las para aqueles que vierem para trabalhar e se integrar", resumiu nesta quinta-feira o chefe de governo, Silvio Berlusconi.

Segundo Il Cavaliere, 76% dos italianos apóiam a posição do governo.

Em matéria de segurança interna, a medida mais simbólica, adotada sob forte pressão do partido da Liga do Norte (extrema direita), é a possibilidade de que as "associações de cidadãos" realizem rondas para fiscalizar alterações da ordem pública. A lei também prevê registrar os 'sem teto'.

A Comissão Europeia agora espera que essas medidas sejam definitivamente aprovadas para se pronunciar, mas "à primeira vista, não parecem contrariar" a legislação europeia, indicou um representante do Executivo de Bruxelas, que pediu o anonimato.

A aprovação do texto pelo Senado deverá acontecer em breve e sem grandes dificuldades, já que o governo de Berlusconi conta com ampla maioria na casa.

A esquerda e as associações de defesa dos imigrantes chamam as medidas de "liberticidas", e as consideram "uma volta à lógica das leis raciais da época de Mussolini".

A Conferência Episcopal italiana, por sua vez, estima que a nova lei tornará mais difícil "o objetivo da integração" dos imigrantes na sociedade italiana.

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