Roma, 11 abr (EFE).- A campanha eleitoral para as eleições gerais italianas chega hoje a seu fim, após quatro semanas nas quais os principais candidatos, o conservador Silvio Berlusconi e o democrata Walter Veltroni, não foram capazes de envolver os cidadãos, que a acompanharam com ceticismo e desinteresse.

O último ato eleitoral de ambos os candidatos seria duas entrevistas, separadas e consecutivas, previstas para esta noite no "Canale 5", propriedade de Berlusconi, em uma tentativa de chegar a mais cidadãos que com um tradicional comício.

Berlusconi, líder do Povo da Liberdade (PDL), considera a sua eleição um fato certo e em 28 abril, último dia da publicação de pesquisas eleitorais, sua vantagem era de entre 8 e 5 pontos na Câmara dos Deputados frente ao Partida Democrata (PD) de Veltroni.

Esta foi uma campanha eleitoral frouxa, quase apática, seguramente reflexo de um país que enfrenta grandes desafios, que está com a economia maltratada, mas cujos cidadãos não acreditam na capacidade dos políticos para dar uma resposta a seus problemas.

De fato, segundo as últimas pesquisas para as votações do dia 13 e 14 de abril, 30% dos italianos se declararam indecisos sobre em quem votar ou até mesmo se vai votar.

Uma das frases mais ouvidas nestes dias na boca de muitos italianos é "nenhum candidato merece meu voto".

"O povo está muito desiludido, preocupado, quer alguma solução independentemente de que partido ela venha, mas tem a convicção de que qualquer um que nada vai mudar muito", explicou hoje à Agência Efe o professor de Ciências Políticas da Universidade Luiss de Roma, Giovanni Orsina.

Além disso, tanto Berlusconi como Veltroni "já são conhecidos", o primeiro há anos e o segundo é visto como herdeiro do atual Governo de Romano Prodi. Assim "nenhum diz coisas novas", as atuais promessas já foram formuladas anteriormente e em grande parte "não foram cumpridas".

"Levanta Itália" foi o lema de Berlusconi, de 71 anos, que quer retornar pela terceira vez ao Governo, após um período de cerca de dois anos, e que desta vez não prometeu milagres, mas advertiu que as primeiras decisões de um possível Governo seu serão "duras e impopulares".

Berlusconi antecipou ontem, em Roma, o fechamento de sua campanha, em um comício no qual dedicou mais tempo a desqualificar seu rival direto, do que falar sobre seu programa.

O Partido Democrata propõe "virar a página", se apresenta como uma opção que aposta nos jovens e Veltroni prometeu que uma nova Itália "se puó fare" (pode ser feita), como o "Yes we can" (Sim, nós podemos) do senador americano Barack Obama, pré-candidato democrata à Presidência do país.

Veltroni encerrará hoje sua campanha em Roma, enquanto ontem em um grande comício em Milão assegurou que o PD pode responder ao "desafio reformista" e, seja qual for o resultado do pleito, não haverá possibilidade de acordos com a direita.

A atual lei eleitoral já fez com que na recém terminada legislatura a coalizão de centro-esquerda contará apenas com dois senadores de diferença, o que acabou provocando a queda do Executivo, enquanto algumas pesquisas não descartam um empate.

Nesta ocasião, já não há duas grandes coalizões - de centro-direita e centro-esquerda - que reúnam toda uma variedade de partidos, o que abre um cenário de possibilidades no caso de o resultado não ser determinante.

Nesse caso, tanto a União Democratas-Cristãos e de Centro (UDC), de Pierferdinando Casini, como a Esquerda-Arco Íris, de Fausto Bertinotti, aspirariam a se transformar no fiel da balança, se conseguirem superar a barreira dos 8% de votos que dá acesso à Câmara Alta (Senado).

Enquanto isso, a promotoria de Reggio Calabria, região do sul da Itália, investiga a tentativa de fraude no voto dos italianos que vivem na América Latina.

A notícia foi adiantada hoje pelo jornal "La Stampa" e confirmada depois pela promotoria, que não quis entrar em detalhes devido ao "momento delicado" diante da iminente realização das eleições.

A participação dos residentes no estrangeiro nas eleições gerais italianas caiu 0,41% em relação ao registrado há dois anos, segundo dados do Ministério de Assuntos Exteriores.

A participação estes italianos que vivem fora da Itália neste pleito, cujas urnas já foram fechadas, foi de 41,66% contra 41,07% da última eleição, informou o vice-ministro de Assuntos Exteriores interino, Franco Danieli.

Segundo seus dados, dos 2.924.202 cidadãos italianos que vivem no estrangeiro, 1.204.720 exerceram o voto. EFE cr/ma

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