Itália de luto enterra vítimas do terremoto

A Itália celebrou nesta sexta-feira o funeral coletivo das vítimas do terremoto que deixou quase 300 mortos em LAquila, na região central de um país de luto e onde a terra continua tremendo.

AFP |

A imagem de um pequeno caixão branco de criança colocado sobre o féretro de sua mãe ficará como o símbolo destes funerais, cinco dias após o terremoto mais mortífero dos últimos 30 anos na Itália.

Uma mensagem do Papa, que se uniu "ao luto dos que choram", foi lida antes da missa, à qual assistiram cerca de 5.000 pessoas, entre elas o chefe do governo, Silvio Berlusconi, visivelmente muito emocionado.

"Sinto-me espiritualmente próximo de vocês para compartilhar seu sofrimento e implorar a Deus pelo repouso eterno dos desaparecidos", declarou Bento XVI em sua mensagem, ouvido por parentes de vítimas em prantos.

Cerca de 200 caixões foram alinhados no pátio da escola militar, um dos raros edifícios poupados pelo terremoto, que deixou pelo menos 289 mortos.

"O dia de hoje é uma Via-Crúcis para cada um de nós", admitiu a presidente da província, Stefania Pezzopane, no dia em que os cristãos comemoram a Paixão e a morte de Cristo na cruz.

O cardeal Tarcisio Bertone, número dois do Vaticano, celebrou a missa diante dos caixões, antes de benzer os corpos.

"É com uma imensa piedade que pensamos nas vítimas retiradas prematuramente de suas famílias por uma morte cruel, assim como em todas as famílias que ficaram sem casa", declarou Bertone.

Um imã discursou para a multidão depois da cerimônia, exaltando "a unidade de todos em nome do Deus único", em homenagem às seis vítimas muçulmanas da catástrofe.

Todos os caixões foram em seguida colocados provisoriamente no cemitério de L'Aquila.

As bandeiras foram hasteadas a meio pau em todo o país, que parou no início da cerimônia. Um minuto de silêncio foi observado em vários lugares, inclusive em todos os aeroportos.

"As vítimas dos Abruzzos são os mortos de toda a nação", declarou Berlusconi, depois de dois outros corpos terem sido encontrados pela manhã.

Mais de 806 tremores secundários, sendo nove de 4 a 5 graus na escala Richter, foram registrados desde o terremoto de segunda-feira, destacou o chefe de governo.

O terremoto, o mais mortífero das três últimas décadas na Itália, também deixou 40.000 desabrigados, 24.000 dos quais estão atualmente em campos de barracas.

O próprio Berlusconi se ofereceu para alojar alguns desabrigados.

"Muitas pessoas já ofereceram suas casas para ajudar os desabrigados, e eu também vou fazer o possível para ajudar estas pessoas, disponibilizando algumas das minhas casas", declarou o rico empresário, dono de pelo menos quatro luxuosas mansões.

Ele também afirmou que pretende conseguir 400 a 500 milhões em três anos dos fundos europeus.

Cerca de 10.000 edifícios e casas foram danificados, e a polêmica sobre as falhas das construções e dos controles, em um país de alto risco sísmico, não para de crescer.

O presidente da República, Giorgio Napolitano, lançou um apelo a um "exame de consciência" coletivo, uma frase estampada nesta sexta-feira nas manchetes de todos os jornais.

bur/yw

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