Itália dá início a consultas para formar gabinete pós-Berlusconi

Mário Monti deve ser nomeado como novo primeiro-ministro ainda neste domingo

BBC Brasil |

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O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, deu início a consultas formais com líderes políticos do país para chegar à formação de um novo gabinete de governo, após a renúncia, no sábado à noite, do agora ex-premiê Sílvio Berlusconi . Espera-se que o economista e ex-comissário da União Europeia Mário Monti seja confirmado para o lugar de Berlusconi, e existe pressão para que isso ocorra ainda no domingo, antes da abertura dos mercados, na segunda-feira.

Monti deve presidir um governo de tecnocratas cuja principal função será implementar o plano de austeridade aprovado pela Câmara no sábado, condição para a renúncia de Berlusconi.

A chamada Lei de Estabilidade , que contou com 380 votos a favor e 26 contra entre os deputados, contém medidas duras para economizar 59,8 bilhões de euros e equilibrar o orçamento do país até 2014.

Entre estas estão o aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 20% para 21%; o congelamento dos salários de servidores até 2014; a alta da idade mínima de aposentadoria para as trabalhadoras do setor privado, de 60 anos em 2014 para 65 em 2026; aperto nas medidas contra a evasão fiscal; e um imposto especial para o setor de energia.

O ex-premiê italiano Romani Prodi, que liderou um governo de centro-esquerda entre dois mandatos de Berlusconi, elogiou a saída do polêmico magnata e disse que Monti é "o homem certo" para sucedê-lo.

"Ele (Monti) é moderado e conhece o sistema financeiro internacional. Esse ataque especulativo contra os títulos da divida italiana são em parte por causa de Berlusconi, não por causa da realidade", afirmou Prodi.

Ele disse que "ter um primeiro ministro que tenha credibilidade e que cuide das finanças públicas, nao as suas próprias finanças" ajudará o país a recuperar a confiança dos investidores.

AFP
Mario Monti fala com a imprensa ao deixar seu hotel em Roma, neste domingo

'Palhaço'

Berlusconi, que ocupou o cargo por três vezes desde 1994 e dominou a política italiana pelos últimos 17 anos, entregou sua carta de renúncia ao presidente Napolitano na noite do sábado.

Do lado de fora do palácio presidencial Quirinale, o agora ex-premiê foi recebido por manifestantes que gritavam "Palhaço" e atiravam moedas em sua direção.

Segundo o correspondente da BBC em Roma Alan Johnston, o último deslocamento de Berlusconi como premiê, entre sua residência oficial e o Quirinale, foi pouco dignificante.

A polícia lutava para conter uma grande multidão hostil que vaiava o comboio do primeiro-ministro, que deixou o palácio presidencial por uma saída lateral para evitar os manifestantes.

Ele depois afirmou ter sentido "amargura" ao ouvir os insultos.


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