Itália começa a aplicar mão dura contra imigrantes clandestinos

A polícia italiana anunciou nesta quinta-feira os resultados de uma imponente operação contra imigrantes ilegais em todo o país, o que constitui um dos primeiros gestos do governo conservador de Silvio Berlusconi, que prometeu rigidez contra os clandestinos.

AFP |

No total 383 pessoas, a maioria de nacionalidade marroquina e romena, foram detidas como parte de uma ação realizada a partir do dia 7 de maio em nove regiões e 15 províncias da Itália.

Entre os detidos, 118 serão expulsos, segundo o diretor da Divisão contra o Crime da Polícia do Estado, Francesco Gratteri.

"Trata-se de uma operação em massa contra pessoas que cometeram delitos relacionados à imigração clandestina", explicou.

"Não foi uma operação contra uma categoria de pessoas ou contra uma etnia específica. Nosso objetivo é combater a criminalidade que gera aumento da insegurança social", ressaltou.

Entre os detidos estão 50 marroquinos, 32 romenos, 25 tunisianos, 18 nigerianos, 16 egípcios, 16 sérvios e 14 libaneses.

Não consta nenhum latino-americano na lista.

Um total de 65 pessoas foi transferido para vários centros de detenção para imigrantes para verificar suas identidades.

Com essa operação as autoridades começaram a aplicar a nova política conservadora do governo italiano, que anunciará na próxima quarta-feira um pacote de duras medidas contra a imigração ilegal.

Entre elas, por exemplo, a prisão e a ampliação do período de reclusão até 18 meses nos centros de permanência temporários.

A idéia de considerar um crime a imigração clandestina, com penas que variam de seis a quatro anos de prisão, anunciadas pela imprensa, foi rejeitada pelo cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz e por organizações humanitárias que a consideram "anticonstitucional".

Paralelamente, as operações policiais desencadearam uma série de caçada espontânea aos ciganos, com incêndios e ataques violentos contra vários acampamentos.

Aproximadamente 160.000 ciganos residem na Itália, dos quais uns 60.000 vêm da Romênia, segundo cálculos da associação Opera Nomadi.

Várias organizações de assistência aos imigrantes denunciaram o clima de violência contra os ciganos e os romenos em toda a Itália, onde se agravou nos últimos anos, ao serem estigmatizados pela opinião pública e pela imprensa como perigosos delinqüentes.

Os prefeito de Milão e Roma anunciaram que designarão um comissário extraordinário para a questão dos ciganos.

Nesta quinta-feira ainda, 50 pessoas foram detidas sem documentos em uma operação em um campo de ciganos da capital, onde residem 700 pessoas.

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