ROMA - O Ministério de Relações Exteriores italiano convocou nesta quarta-feira o embaixador brasileiro, Adhemar Gabriel Bahadian, para expressar sua queixa e surpresa com a decisão do Brasil de conceder o status de refugiado político a Cesare Battisti, ex-membro de um grupo de extrema-esquerda condenado por quatro homicídios.


Em uma nota, o ministério explicou que o secretário-geral Giampiero Massolo manifestou ao diplomata "a indignação de todas as forças políticas parlamentares, dos familiares das vítimas e de toda a opinião pública" com a decisão do Brasil.

Além disso, Massolo mostrou a "forte perplexidade" com as explicações dadas pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, para justificar o status de refugiado político concedido a Battisti.

Genro entendeu que o ex-membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) não teve "o amplo direito à defesa" na Itália.

Massolo pediu ao embaixador brasileiro que reitere às autoridades o "forte apelo" do Governo italiano para que a posição mude.

O ministro da Justiça italiano, Angelino Alfano, anunciou que ligará a Genro.

Na Itália, Battisti foi condenado à prisão perpétua à revelia por participação em quatro homicídios ocorridos na década de 1970.

O ex-ativista e escritor italiano, que aguardava a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, será solto nesta mesma semana.

"A decisão do Governo brasileiro de não conceder a extradição de Battisti é um fato desconcertante, ofensivo e de extrema gravidade", declarou o ministro de Defesa italiano, Ignazio La Russa, que disse estar surpreso com o fato de "um terrorista e assassino" ser considerado refugiado político.

La Russa disse que é "absolutamente necessário adotar qualquer iniciativa para mostrar ao governo brasileiro a indignação de todo o povo italiano diante de uma decisão inaceitável e vergonhosa".

Já o ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, se declarou "comovido" por uma decisão que salva "um criminoso condenado por homicídio", e ressaltou que a justificativa de que Battisti poderia sofrer torturas ou humilhações na Itália "é uma piada" e "uma ofensa".

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