Itália central: região de forte atividade sísmica

O forte terremoto de LAquila, em Abruzzos, ocorreu em uma área da Itália de grande atividade sísmica, já atingida por vários tremores na história, no interior de uma região mediterrânea sujeita a grandes movimentos tectônicos.

AFP |

"Toda esta região do centro da Itália, até a Calábria, ao sul, é cruzada por muitas falhas que fazem com que uma porção de terra desça em relação à outra", explicou à AFP Robert Lacassin, do Instituto de Física Global de Paris (IPGP).

"Isto ocorre na área oeste do Mediterrâneo, que sofrem movimentos sísmicos, assim como o norte da África e os Alpes, ou a Espanha e o sul da França", acrescentou o geólogo.

"Um tremor de terra dessa magnitude ao longo dos Apeninos certamente não é uma surpresa. Não se localizou em uma área distante de onde ocorreu um terremoto de 7 graus que deixou 30.000 mortos em 1915", lembra Roger Musson, do British Geological Survey (BGS), em Edimburgo.

"A península italiana está em um limite de placa. Este mesmo limite passa pela África do Norte, pela Sicília e pela Calábria, cruzando os Apeninos", explica Mustapha Meghraoui, do Instituto de Física Global de Estrasburgo.

Tremores fortes foram registrados em 1980, em Nápoles, e em 1997, na Úmbria, quando a basílica de São Francisco de Assis desmoronou.

"Os estragos se devem à idade das construções. Como esta é uma região onde ainda há casas antigas e povoados que datam da Idade Média, há vítimas", segundo Meghraoui, que trabalhou nos Abruzzes.

Grande parte da Bacia Mediterrânea está exposta ao risco sísmico, do Magreb até a Turquia, passando pelos Alpes e pelos Balcãs, e por Portugal no Atlântico.

Os geólogos estimam que o epicentro do terremoto de L'Aquila está próximo da superfície, a uma profundidade provavelmente inferior a 10 km.

"Se esse terremoto foi efetivamente superficial, é surpreendente que tenha causado tantos estragos", declara Michel Granet, responsável pela Rede Nacional de Vigilância Sísmica (Rénass), do Instituto de Física Global de Estrasburgo.

A natureza do terreno também tem influência. "A cidade de L'Aquila e os povoados localizados nas imediações foram erguidos sobre uma bacia sedimentar e é possível que o tremor tenha sido um pouco amplificado pela estrutura dessa bacia", considera Granet, já que o terreno móvel favorece a propagação de ondas sísmicas.

Em todo caso, os moradores da região devem se preparar para fortes réplicas, como sempre acontece após algum terremoto de grande envergadura.

boc/dm

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